15 de junho de 2015

Vinho sem Frescura

A coluna Vinho sem Frescura, que era publicada mensalmente aqui no blog, passou por uma reformulação e agora virou um canal no YouTube! A cada episódio, o Homero Gottardello vai dar dicas rápidas sobre como beber seu vinho, como usar os acessórios e quais são dispensáveis, onde encontrar os melhores rótulos com os menores preços, as taças ideais para cada tipo de vinho, denominações de origem, harmonização, restaurantes e tudo o que for relacionado à enogastronomia.


Se você gostou do vídeo, acompanhe o Vinho sem Frescura pelo YouTube e pelo Facebook, comente e dê sugestões de temas para os próximos capítulos!

9 de junho de 2015

São Brasa Espetaria


Belo Horizonte é uma daquelas cidades em que toda novidade, principalmente relacionada à gastronomia, vira moda. Por um bom tempo, as pessoas só consomem aquilo, e a cidade se enche de estabelecimentos que oferecem variações do mesmo produto. Daí a pouco, outra novidade aparece para assumir esse lugar. Foi assim com os cupcakes, os brigadeiros gourmet e as paletas mexicanas. A nova moda por aqui são as espetarias.

Recém abertas em diversos pontos da capital, elas atraem cada vez mais clientes com a promessa de oferecer ambiente descontraído, cerveja gelada e opções diferenciadas de churrasquinho, tanto em termos de qualidade quanto pela originalidade do produto. Há algumas semanas, visitamos uma das casas especializadas em “espetinhos gourmet”, e a experiência não foi das melhores.

A São Brasa Espetaria, aberta há cerca de 8 meses, ocupa um imóvel pequeno em Lourdes, e a maior parte de suas mesas fica na calçada. Um grande balcão com cadeiras altas ocupa boa parte do salão e divide a área da churrasqueira e o espaço para os clientes. Do lado de fora, um cardápio exibe 16 variedades de espetos e quatro de pães especiais - dentre eles o de bacalhau com queijo, que chamou a nossa atenção. Mal chegamos, o garçom nos avisou que o fornecedor não tinha feito a entrega naquele dia e que a casa estava com poucas opções de espetos. Já ficamos desanimados... Depois de descobrirmos que os espetos mais interessantes – frango com catupiry, kafta e tilápia - não estavam disponíveis, decidimos experimentar todas as variedades do dia: carne de boi, carne de porco, muçarela, linguicinha defumada e salsichão.

No geral, os espetinhos ficaram abaixo das nossas expectativas. A carne de boi veio mal passada, como pedimos, mas não estava macia nem suculenta. Mesmo com a farinha que a acompanhava, não tinha muita graça. A carne de porco foi a melhor da noite. Soltava fácil do espeto e estava macia, mas também não tinha nada de especial. A muçarela derreteu demais e não ficou crocante por fora. Além disso, estava tão salgada que não dava para comer o espeto inteiro sem beber alguma coisa. O salsichão, que pedimos por último, era totalmente dispensável. Por fora, estava meio queimado, por dentro, não assou direito. O sabor também não agradou – parecia embutido de qualidade inferior.


Para tentar salvar a pátria, pedimos um pão de bacalhau com queijo que até estava gostoso, mas não tinha o menor gosto de bacalhau. Antes tivéssemos pedido o pão de alho tradicional, que seria mais barato e tão bom quanto.

Vamos voltar?
Não. Pode ter sido azar, mas nesse dia nada funcionou direito. O atendimento foi confuso, as bebidas não estavam geladas e os espetos, que custam em média R$ 6, deixaram a desejar. Por menos do que isso, você encontra churrasquinhos mais gostosos e cardápios mais variados por aí.


São Brasa
Rua Gonçalves Dias, 1914
Lourdes

2 de junho de 2015

Os 50 melhores restaurantes do mundo


A edição 2015 dos "50 Melhores Restaurantes do Mundo", promovida pela William Reed Media, mostrou mais uma vez que Lima é o melhor destino gastronômico da América do Sul. Além de emplacar três casas na prestigiada lista, com o Central (quarto colocado), o Astrid Y Gastón (14º colocado) e o Maido (44º colocado), a capital peruana sobressaiu pela escalada da casa do chef Virgilio Martínez, que subiu impressionantes 13 posições no ranking e foi coroada com o título continental. O D.O.M., de Alex Atala, aparece na nona colocação como o melhor brasileiro da lista.

A verdade é que, aos 37 anos, Martínez sabe, melhor que ninguém, que a gastronomia peruana afetou, diretamente, o curso da civilização e é exatamente este o segredo de seu sucesso: usar o alimento como forma de legitimar, internacionalmente, a culinária andina. "A batata é de origem peruana e não há, neste mundo, quem não coma batatas", diz o chef. Para ele, um ingrediente não é, apenas, seu sabor. "É cultura e é nosso dever dar valor aos ingredientes nativos de nosso país", avalia Martínez. "Os chefs estão percebendo seus ingredientes de forma mais intensa, verdadeira, e essa nova tendência fará com que Chile, Argentina, Colômbia e Venezuela ganhem destaque internacional, nos próximos anos".

O chef costuma dizer que tem dois trabalhos em tempo integral: "O primeiro é encontrar coisas comestíveis que estão aqui desde sempre, desde antes da civilização Inca. O segundo é introduzi-las em minhas criações para um público moderno", conta o chef. Para isso, ele viaja para lugares como Puno, na região homônima, a procura de argila comestível, ou para a província de Chanchamayo, onde a casca da árvore Huampo é fervida e servida.

O Central celebra a biodiversidade do Peru com pratos de vanguarda, temperados com ervas e especiarias exóticas. Para experimentar suas delícias, os comensais devem se antecipar, afinal, as reservas costumam ser feitas com, pelo menos, de um mês de antecedência - a casa tem capacidade para apenas 70 pessoas. A boa notícia é que um jantar no restaurante sai mais barato do que comer em muitas pizzarias "chiques" do Brasil.

A cozinha "acristalada" permite que os clientes vejam Martínez em ação. À noite, não há cardápio e são ofertados dois menus degustação: Alturas, com 17 ou 18 etapas que fazem referência à viagens do chef pela Mater Iniciativa (projeto fundado por ele, em 2013, para difusão de ingredientes peruanos), com indicação da altitude onde cada iguaria é colhida (custa 390 nuevos soles, o equivalente a R$ 390), e Corto Central, versão mais "simples", com 11 elaborações (sai por 290 nuevos soles).