30 de abril de 2015

Vinho sem frescura


O maior desafio que os restaurantes brasileiros enfrentam é transformar a gastronomia em um negócio rentável. Quando o assunto são negócios, a criatividade dos melhores chefs do país encontra um obstáculo intransponível na lucratividade. Sem experiência administrativa, os mestres da culinária só conseguem fechar as contas aumentando os preços e, de em aumento em aumento, acabam é, invariavelmente, fechando as portas. Por exemplo: dá para contar nos dedos, de uma mão, quem consegue rentabilizar sua venda de vinhos e, aqui, como na cozinha, é a falta de planejamento que deixa o incauto na mão dos distribuidores.

Os problemas, para o dono do restaurante já começam quando ele cai no conto da bonificação. Funciona assim: um distribuidor oferece para ele um valor substancial, a partir de R$ 2.000, em produtos, mas condiciona esse “ganho” inicial à assinatura de um contrato leonino, que obriga a casa a lhe dar exclusividade na compra de vinhos. 


Não é preciso ser um gênio da administração para saber que a tal bonificação está embutida na fidelização e, depois de assinar o contrato, o proprietário do restaurante está na mão do fornecedor. Se seus preços subirem, ele tem que repassar para seus clientes e o máximo que consegue, a partir daí, é negociar prazos para quitação das faturas.

Os clientes, que não querem saber dos problemas do “restauranteur” e só estão interessados na comida, vão, ao ver a escalada de preços, debandando. Em um ano, no máximo, desaparecem.

O dono da casa não sabe, mas foi vítima de um maneirismo do mercado. Reza a lenda que “uma boa carta de vinhos tem que ser ampla e representativa”. Em outras palavras, que ela tem que ter dezenas de rótulos diferentes, mas não só isso. Os vinhos têm que ser de produtores de prestígio ou de regiões de prestígio. Bom, a pergunta que faço é uma só: quem disse isso? Jesus Cristo, Buda, Maomé, Fernando Henrique Cardoso?!

Quem conhece a Europa e os Estados Unidos sabe muito bem que essa regra só se aplica a restaurantes luxuosíssimos. Os bistrôs, que servem de modelo para 90% dos restaurantes medidos a besta brasileiros, têm, quando no muito, 12 rótulos na sua carta de vinhos. Seus proprietários sabem, melhor do que ninguém, que a fórmula do renomado Ritz é prejuízo na certa para sua casa.

Com um plano de negócios bem elaborado, qualquer restaurante de Zona Sul pode lucrar de R$ 2.000 a R$ 4.000, por semana. Mas, para isso, o primeiro passo que ele tem que dar é romper os grilhões dos contratos de exclusividade e se dispor a enxugar sua carta de vinhos. Compor uma linha com rótulos de entrada, opções intermediárias e de prestígio – em Belo Horizonte, há um projeto muito interessante neste sentido.

Mas no Reino Tupiniquim, onde a imagem e a fleuma vêm na frente de tudo, à medida que a bonificação se converte em prejuízo, é você, caro leitor e cliente, que paga o pato. Aliás, paga a partir de R$ 85, R$ 90, para beber um rótulo cuja única garantia de origem é uma dor de cabeça, amanhã. Tim-tim!

27 de abril de 2015

A nova loja virtual da Casa Rio Verde


A Casa Rio Verde acaba de lançar uma nova plataforma digital para a compra de vinhos. O VinhoSite chega com duas grandes novidades que certamente irão agradar aos apaixonados pela bebida. A primeira é o VinhoClube, um clube de assinatura por meio do qual o cliente-sócio recebe, em casa, os rótulos selecionados para cada mês. Além de receberem um desconto de até 50% sobre o preço dos vinhos na prateleira, os assinantes têm benefícios em demais compras, cursos, degustações e eventos presenciais da Casa Rio Verde.

A segunda novidade são as ferramentas de busca. Se clicar em "escolha pelo estilo", o cliente irá encontrar os 400 rótulos disponíveis divididos em 12 estilos: tintos leves, macios, intensos, complexos e poderosos; brancos frutados e gastronômicos; espumantes frutados e complexos; e vinhos licorosos. Além das sugestões de rótulos, o site oferece informações gerais sobre cada estilo. 


Outra opção é a busca de rótulos por harmonização. São 80 opções de pratos diferentes, separados por categoria: entradas e aperitivos; queijos; massas e pizzas; risotos; peixes e frutos do mar; carnes brancas; carnes vermelhas e sobremesas. Ao selecionar uma categoria, o site sugere vinhos que harmonizam com aqueles sabores.

A seleção do portfólio é feita pelo gerente de importação da empresa, Haendel Roberto, por meio de visitas pessoais às vinícolas. Assim, ele garante a qualidade dos produtos. "Sempre buscamos as mesmas características organolépticas em nossos vinhos - elegância, equilíbrio, fruta, frescor e persistência. Tudo isso embalado por algo mais abstrato que é a personalidade diferente que cada vinho deve oferecer", define Roberto.

Com a nova plataforma, a Casa Rio Verde pretende ampliar as vendas para todo o Brasil. "Com o know-how da Rio Verde, a funcionalidade do site e o crescimento acelerado do comércio eletrônico no Brasil esperamos um crescimento de 6% nas nossas vendas neste primeiro ano", avalia Gabriel Roberto, gerente de e-commerce do grupo.

Saiba mais: VinhoSite

22 de abril de 2015

Sholl’s Fine Burger


Na última quarta-feira, aconteceu a inauguração da mais nova hamburgueria da cidade, a Sholl’s Fine Burger. E nós, que somos apaixonados por sanduíche, fomos lá conferir! Localizada no coração da Savassi, a casa de dois andares tem decoração e cardápio inspirados no Cinema. Da entrada, dá para se ter uma boa visão do amplo salão principal, onde as paredes são enfeitadas com quadros e painéis de grandes atores, atrizes e clássicos da sétima arte. Django, Matrix, Rocky Balboa e O Poderoso Chefão são alguns dos filmes que batizam os sanduíches.

O menu conta com opções para todos os gostos: há hambúrgueres de filé mignon, baby beef, linguiça caseira, costelinha, cordeiro e frango, preparados de maneira artesanal com 160g de carne fresca. Para os vegetarianos, chamou a atenção o hambúrguer de cogumelos. Quase todos os burgers são acompanhados de batatas fritas, e os preços variam de R$ 13,40 a R$ 32,90.

Nosso primeiro pedido da noite foi um Blade, feito com pão de hambúrguer com gergelim, hambúrguer de cordeiro, muçarela de búfala, creme de hortelã, tomate, alface americana e batata frita palito. Assim que os sanduíches chegaram, reparamos no quanto eles são visualmente parecidos com os do Eddie. O formato do prato, a disposição e o tipo das batatas, o saquinho de papel e o palitinho espetado no pão, tudo lembrou a outra casa. Mas em questão de sabor, a Sholl’s saiu na frente. Feita com capricho, a carne veio ao ponto, exatamente como queríamos, e estava bem macia e temperada. O creme de hortelã, suave, combinou bem com o sabor do cordeiro, assim como a fatia de muçarela, cortada fininha e derretida. Só não era muçarela de búfala, como dizia o cardápio, mas nós até preferimos a tradicional. O pão estava bem fofinho, mesmo depois de frio.


A segunda escolha foi um Spok, montado no pão francês redondo e recheado com hambúrguer de costelinha desossada, queijo cheddar, molho barbecue, alface, tomate e batata palito. Na hora de fazermos os pedidos, perguntamos para a moça que nos atendeu se o hambúrguer de costelinha tinha aquele gosto forte de gordura e ela nos garantiu que não. E realmente não percebemos o menor sinal dela, nem visualmente nem no sabor! A carne estava rosada, macia e muito gostosa. Definitivamente, tinha mais sabor do que a de cordeiro. A generosa fatia de queijo cheddar estava derretida, mas não deu ao sanduíche a cremosidade que esperávamos. Gostamos bastante do molho barbecue, que não estava nem muito doce, nem muito ácido. E com as batatas palito congeladas não tem erro, né? Principalmente quando elas ainda estão quentinhas e crocantes.


Vamos voltar?
Sim! Além de ter ambiente agradável e preços atrativos, a Sholl’s prima pela qualidade dos ingredientes, principalmente dos hambúrgueres, e tem cerveja bem gelada. Com um horário de funcionamento diferenciado – nos finais de semana, fica aberta até 4h da manhã -, a casa é uma ótima opção para quem está saindo de um show ou uma boate na região da Savassi.

Sholl’s Fine Burger
Av. Getúlio Vargas, 1.238
Savassi

13 de abril de 2015

Crepioca


Antes de escrevermos este post, visitamos o carrinho da Crepioca três vezes em diferentes pontos da cidade. Em todas elas, mesmo com a fila grande, fomos muito bem atendidos pelos funcionários. No cardápio há mais de 15 variedades de recheio, salgadas e doces, que podem ser montadas na massa de crepe ou de tapioca. Os preços variam entre R$ 7 e R$ 14, sendo que os crepes, maiores, são um pouquinho mais caros. Para beber, água, refrigerante e suco em lata. Pena que eles não têm suco natural...


Pedimos primeiro um crepe 5 estrelas, recheado com carne seca, catupiry e cebola confit. Achamos a massa muito gostosa, bem parecida com a dos crepes do Verdemar em sabor e no formato. A diferença é que aqui ela estava um pouco mais crocante. O recheio agradou bastante também. A carne desfiada estava bem temperada, macia e nada salgada. O requeijão não era catupiry de verdade, mas não era daqueles vagabundos e estava cremoso. As lâminas de cebola confitadas eram fininhas, mais discretas e combinaram bem com a carne. Dos três recheios que experimentamos, esse foi o mais gostoso.

Nossa segunda escolha foi um crepe clássico truck, de frango com catupiry. Também estava bom, mas frango com catupiry é sempre igual, né? O recheio estava cremoso, quentinho e o frango estava bem temperado. Sem dúvida, foi um crepe muito bem feitinho que cumpre exatamente o que promete, sem surpreender. Se você é apaixonado por frango com catupiry, vale a pena pedir.


Só na terceira tentativa é que conseguimos experimentar a tapioca lombeira, recheada de lombinho, catupiry e abacaxi. Criamos uma expectativa grande em relação a ela e, sinceramente, ficamos decepcionados. Visualmente, o recheio parecia frango, e tivemos que perguntar para nos certificarmos de que era lombinho mesmo. Em questão de sabor, estava gostoso. O requeijão estava bem integrado aos outros ingredientes e o recheio ficou bem cremoso, principalmente no meio. O único porém foram os cubinhos de abacaxi, que estavam doces um pouco além da conta e desequilibravam o sabor do conjunto. A tapioca que o pessoal da Crepioca usa é diferente dessas que vendem em supermercados – os grãos são maiores e eles conseguem fazer a massa um pouco mais grossa, boa para se comer no “cone”.

Vamos voltar?
Sim. Tanto os crepes quanto a tapioca agradaram, e os recheios que experimentamos são gostosos – mas não são excepcionais. Em geral, os pedidos não demoram muito para ficar prontos, então é possível fazer uma refeição rápida se você estiver com pressa. Vale a pena conhecer, mas, tirando o charme do carrinho e a simpatia de todos os funcionários, os crepes do Verdemar são mais baratos e, na nossa opinião, tão gostosos quanto ou até melhores do que os da Crepioca.

2 de abril de 2015

Experimente o Vinho do Mês: abril

Neste mês, o calor do Verão dá lugar ao clima ameno do Outono e, para abril, a promoção 'Experimente o Vinho do Mês' selecionou rótulos que combinam com a estação que antecede o Inverno. São dois varietais da Finca El Origen, umas das mais prestigiadas revelações do Valle de Uco, em Mendoza, e que hoje exporta 90% de sua produção para 37 dos maiores mercados mundiais.


Os rótulos da vez são o Malbec (tinto) e o Chardonnay (branco). Assinado pelo enólogo Gonzalo Bertelsen, o Finca El Origen Malbec 2013 tem cor violeta e aroma de cereja. Na boca, apresenta um frescor decorrente de sua acidez natural que, junto com o dulçor da fruta vermelha, faz dele um vinho agradabilíssimo, indicado para acompanhar carnes e massas.

Já o varietal Chardonnay 2013 sobressai pelo tom amarelo brilhante, um pouco esverdeado. Seu aroma combina notas cítricas e minerais com frutas tropicais e, na boca, sua estrutura média tem acidez balanceada e um final elegante, persistente. É ideal para acompanhar carnes brancas e, é claro, saladas.

Os restaurantes participantes do 'Experimente o Vinho do Mês' combinam o melhor da cozinha internacional e da gastronomia autoral, em endereços nos mais prestigiados e tradicionais bairros de Belo Horizonte. Conheça nosso time: Badejo, Birosca S2, Don Pasquale, El Toro, Ephigênia Bistrô, Est! Est!! Est!!!, Nonna Carmela, Oak, Osteria Degli Angeli, Patuscada, Saatore, Santa Pizza, Taberna Livorno e Trindade.