4 de novembro de 2015

Olga Nur troca tradição pela vanguarda


O Olga Nur abriu suas portas em julho deste ano com toda pompa e circunstância. No mesmo endereço onde funcionava o distinto e controverso O Dádiva, apostou suas fichas no prestígio do cozinheiro Erick Jacquin, aquele gordinho do Master Chef. Chamou atenção e ganhou espaço na mídia, mas o cardápio conservador de Jacquin acabou abreviando a parceria entre o restaurante e o jurado da TV. Ninguém fala isso, mas estava "queimando o filme".

O Olga investiu na cozinha contemporânea com um novo menu assinado por seu próprio chef executivo, Rodrigo Viana. E o resultado não poderia ser melhor: agora, há uma sinergia entre ambiente, serviço e cardápio. "Para criarmos este menu seguimos novas vertentes culinárias, mantendo nosso foco naquilo que clientes mais valorizam", conta Viana. "Uma preocupação que tivemos foi chegar em um compromisso entre qualidade e criatividade, que não sacrificasse o preço".

A decoração inovadora, o atendimento profissionalíssimo e as criações do chef falam a mesma língua, o idioma da modernidade. Sua autonomia ganha destaque desde o montadito de filé ovos e flor da sal (R$ 39), uma entrada realmente mágica, passando pelo creme de ervilhas frescas com burrata (R$ 37) e pelo nhoque de batata baroa recheado com queijo brie e confit de tomates (R$ 94), até chegar à lagosta ao molho de mostarda e mel com champignons (R$ 99) - a opção mais criativa, saborosa e farta. 

São, ao todo, cinco opções de entrada (que também incluem as saladas de polvo braseado, aiolí e pesto de rúcula; de chevre quente, com lâminas de pêras e amêndoas coradas; o carpaccio de salmão defumado na casa, com guacamole e merken) e nada menos que 16 sugestões para prato principal, com destaque para o filé e escalope de foie gras com arroz vermelho e hortelã (R$ 79), que experimentamos e aprovamos.


Com o mercado gastronômico desaquecido, o chef também criou pratos para serem compartilhados, como o guioza de pato e pupunha, levemente picante ao molho de gengibre e mascavo; o prato de queijos variados ao melaço de cana; e os gogumelos recheados com camarão e queijo de cabra - além do montadito, que já está mais do que recomendado. "Os clientes que vêm ao Olga Nur querem uma experiência completa e, para proporcioná-la, também realinhamos nossa carta de vinhos para atendê-los com rótulos de ótima qualidade e preços justos", pontua o consultor da casa, Matheus Murthê.

E essa leitura realista do momento que o setor atravessa só trouxe ganhos. Afinal, o restaurante vendeu nada menos que 180 garrafas de vinho em um único dia, recentemente. E como ninguém pode ir embora sem adoçar a boca, as sobremesas incluem desde o tradicional petit gatêau até misturas criativas, como churros de banana com doce de leite e profiteroles de maçã e caramelo com especiarias (R$ 23) - nossa indicação.

Para além do que se come e bebe, outra boa notícia é que o restaurante agora está aberto para almoço também às sextas-feiras. É verdade que a maioria dos pratos têm preços acima da média de BH, mas, sem dúvida, vale a pena conhecer o Olga!

Olga Nur
Rua Curitiba, 2202
Lourdes

30 de setembro de 2015

DiVino Restaurante


Quem vive preso ao circuito dos restaurantes do bairro de Lourdes não sabe que o melhor de Belo Horizonte está longe do burburinho e da badalação. O diVino, por exemplo, fica no Vale do Sol, em Nova Lima, a cerca de 25 minutos da Savassi – da Praça da Liberdade até lá são 21 quilômetros, sempre em pista dupla. Perto não é, mas vale a pena dar um passeio por lá, afinal, a casa combina um ambiente agradável e familiar com um cardápio brasileiro contemporâneo, com toque das gastronomias francesa e italiana, além de uma influência marroquina que faz dele uma experiência única.


“Seguimos a proposta de valorizar ingredientes mineiros, utilizando técnicas da gastronomia internacional”, explica o chef Fábio Pontes, que “pilota” as panelas na frente dos clientes. Pontes é daqueles mestres-cucas que fazem questão de acompanhar todos os processos e, do balcão para trás, ele cobra escanteio e corre na área para cabecear. Para nossa visita, o chef preparou duas delícias:

O Coração de filé em crosta de parmesão com molho de mostarda (R$ 69,50), o prato mais adorado do restaurante, e uma novidade que estreia nas próximas semanas, no Menu de Primavera, que é o Peixe da época (badejo, namorado ou cherne, que foi o que experimentamos) com farofinha de camarão com manjericão e sautê de abacaxi e alcaparras (R$ 90). São dois pratos fartos e muitíssimo bem preparados, com destaque para o exotismo do peixe, uma criação do chef que merece ser experimentada pelos amantes da boa mesa.


Para a sobremesa, o felizardo pode escolher entra a torta de limão, a banana dourada, o Tiramisu diVino, o petit gâteau, o suflê de goiaba com sorvete de queijo ou uma simples taça de sorvete, que foi o que pedimos pura e simplesmente por falta de espaço na barriga. Tudo delicioso, mas a coisa não para por aí, porque você ainda tem que passar pelo diVino Empório.

“Neste ano, trouxemos o empório para um anexo do restaurante e o resultado foi muito bom, tanto para nós, como empresários, quanto para nossos clientes”, comenta o sócio-proprietário do diVino, Tatá Carvalho. O espaço dispõe de mais de 500 rótulos de vinhos selecionados e também opções de produtos de delicatessen, como chocolates, chás americanos, mostardas, castanhas, biscoitos tailandeses e geleias. A loja conta com atendimento especializado, espaço para ‘happy hour’ e confrarias. Entre os destaques, provamos o Eolo Bianco I.G.T. Sicilia (R$ 48), que acompanhou muito bem o cherne.

Fica a dica!

diVino Restaurante
Av. Quinta Avenida, 144
Vale do Sol - Nova Lima 

5 de agosto de 2015

Villa Roberti


Há quem escolha um restaurante pela badalação, para ver e ser visto. Mas há, também, quem prefira um pouco de discrição e bom atendimento, além de um ambiente agradável para apreciar os prazeres da mesa ao lado de amigos ou sua melhor companhia. Fora do circuito do Bairro de Lourdes, o Villa Roberti é uma ótima opção para quem quer fugir do auê da moçada e curtir um pouco do que resta do bucolismo do Belvedere. A boa notícia é que dá para aproveitar o frio do inverno e o que a casa oferece de melhor, também na hora do almoço.

"Criamos o Menu Executivo para quem deseja uma refeição rápida, mas não abre mão de sofisticação", explica o sócio-proprietário do restaurante, Daniel Roberti. São dez opções ao todo, incluindo três pratos do Menu Rápido e a sugestão da casa, com preços entre R$ 29 e R$ 65.

O cardápio inclui, além de seis opções com massas, peixe, carnes branca e vermelha, minissalada da estação e sobremesa. Os pratos vão do Raviolini de muçarela de búfala com manjericão (R$ 45), do Salmão braseado ao molho de limão (R$ 60) e do Galeto ao pomodoro (R$ 59) às Polpettas de vitelo ao gorgonzola (R$ 55), ao Filé em cubos com polenta italiana (R$ 65) e ao Jarret suíno ao forno (R$ 56).


Além desses, o Menu Rápido acrescenta três opções: Linguado ao forno à mediterrânea (R$ 36), Peito de frango grelhado ao molho de laranja (R$ 30) e Filé-mignon braseado (R$ 44). A sugestão da casa é o Penne  95% sem glúten (R$ 29), salteado com legumes assados e muçarela de búfala. “Gostamos de frisar que este prato contém traços de glúten, daí sua denominação”, reforça o chef Lucas d’El Peloso.

Nessa visita, deixamos nossa escolha nas mãos do chef. Ele sugeriu as almôndegas de vitelo com fonduta de gorgonzola, que são servidas com risoto de vinho tinto, uma combinação de cor rosada e sabor singular, que harmoniza muito bem com esta estação. Sorte a nossa, porque as polpetas combinaram muito bem com a informalidade da varanda, na entrada do restaurante. Aroma, textura e sabor agradaram bastante e o preparo, uniforme, estava perfeito. Para além do uso de ingredientes de primeira qualidade, a criatividade e o cuidado na execução são sempre garantia de bom resultado e, aqui, essa combinação também sobressaiu. E a promessa de agilidade foi cumprida.


Vamos voltar?
Sim! Com um valor médio entre R$ 60 e R$ 75, para um almoço sem bebidas alcoólicas, o Villa Roberti continua fidelíssimo à sua proposta de classe e rigor, um restaurante que merece ser revisitado por quem já o conhece e uma boa dica para quem busca um almoço distinto, longe da correria da Zona Sul.

Villa Roberti
Av. Célso Porfírio Machado, 1520
Belvedere

28 de julho de 2015

Los Churros


Churros nunca foram a nossa primeira opção de sobremesa quando saíamos para comer. Não que nós não gostássemos, mas, durante anos, a única opção para quem queria comer churros em BH eram aqueles carrinhos que ficavam em frente a escolas, cinemas e teatros. Além do cheiro forte de fritura que tomava conta do quarteirão, a massa era sempre fria, gordurosa e pesada. No fim das contas, a decepção era maior do que a vontade de comer.

Há algumas semanas, conhecemos o Los Churros por acaso. A equipe tinha acabado de parar o carrinho na av. Bandeirantes, em frente à Confraria do Malte, e tudo ali parecia estar tão fresquinho e ter sido feito com tanto capricho que resolvemos experimentar. Pedimos o tradicional churro brasileiro com recheio de doce de leite (R$ 6) e adoramos. A massa leve estava quentinha e tinha a consistência perfeita: crocante por fora e macia por dentro. O doce de leite era cremoso e mais clarinho, muito suave. E vinha na quantidade ideal - nem de mais, a ponto de ficar enjoativo, nem de menos. Ainda bem que já estávamos longe do carrinho quando terminamos de comer, senão pediríamos mais dois facilmente. 

Na semana seguinte, fomos atrás do carrinho em um evento na Savassi. Dessa vez, experimentamos mais dois recheios diferentes. O brigadeiro belga, que pode vir dentro ou por cima da massa - ou dos dois jeitos -, é maravilhoso! Lembra muito brigadeiro feito em casa, é mais cremoso que o doce de leite e não é nada enjoativo. É o meu recheio preferido até agora! Testamos também a combinação recheio de brigadeiro belga + cobertura de doce de leite (R$ 7) que, apesar de muito doce, fica perfeita.


A última escolha do dia foi um churro com recheio e cobertura de doce de leite e MMs (R$ 8), que também estava muito bom. E aí não tem miséria mesmo! Outras opções de toppings são granulado, paçoca e gotas de chocolate. Tudo bem light! Pessoalmente, prefiro o modelo mais simples, só com um recheio. Assim, conseguimos sentir o gosto e perceber a crocância da massa.

Vamos voltar?
Sim! Além de os churros serem muito gostosos, o atendimento da equipe do Los Churros é sempre muito atencioso, mesmo quando a fila está enorme. As opções de recheio, cobertura e toppings são variadas e fogem do tradicional, então você sempre pode testar novas combinações. Essa semana eles lançaram o recheio de beijinho, e nós estamos ansiosos para experimentar!

15 de junho de 2015

Vinho sem Frescura

A coluna Vinho sem Frescura, que era publicada mensalmente aqui no blog, passou por uma reformulação e agora virou um canal no YouTube! A cada episódio, o Homero Gottardello vai dar dicas rápidas sobre como beber seu vinho, como usar os acessórios e quais são dispensáveis, onde encontrar os melhores rótulos com os menores preços, as taças ideais para cada tipo de vinho, denominações de origem, harmonização, restaurantes e tudo o que for relacionado à enogastronomia.


Se você gostou do vídeo, acompanhe o Vinho sem Frescura pelo YouTube e pelo Facebook, comente e dê sugestões de temas para os próximos capítulos!

9 de junho de 2015

São Brasa Espetaria


Belo Horizonte é uma daquelas cidades em que toda novidade, principalmente relacionada à gastronomia, vira moda. Por um bom tempo, as pessoas só consomem aquilo, e a cidade se enche de estabelecimentos que oferecem variações do mesmo produto. Daí a pouco, outra novidade aparece para assumir esse lugar. Foi assim com os cupcakes, os brigadeiros gourmet e as paletas mexicanas. A nova moda por aqui são as espetarias.

Recém abertas em diversos pontos da capital, elas atraem cada vez mais clientes com a promessa de oferecer ambiente descontraído, cerveja gelada e opções diferenciadas de churrasquinho, tanto em termos de qualidade quanto pela originalidade do produto. Há algumas semanas, visitamos uma das casas especializadas em “espetinhos gourmet”, e a experiência não foi das melhores.

A São Brasa Espetaria, aberta há cerca de 8 meses, ocupa um imóvel pequeno em Lourdes, e a maior parte de suas mesas fica na calçada. Um grande balcão com cadeiras altas ocupa boa parte do salão e divide a área da churrasqueira e o espaço para os clientes. Do lado de fora, um cardápio exibe 16 variedades de espetos e quatro de pães especiais - dentre eles o de bacalhau com queijo, que chamou a nossa atenção. Mal chegamos, o garçom nos avisou que o fornecedor não tinha feito a entrega naquele dia e que a casa estava com poucas opções de espetos. Já ficamos desanimados... Depois de descobrirmos que os espetos mais interessantes – frango com catupiry, kafta e tilápia - não estavam disponíveis, decidimos experimentar todas as variedades do dia: carne de boi, carne de porco, muçarela, linguicinha defumada e salsichão.

No geral, os espetinhos ficaram abaixo das nossas expectativas. A carne de boi veio mal passada, como pedimos, mas não estava macia nem suculenta. Mesmo com a farinha que a acompanhava, não tinha muita graça. A carne de porco foi a melhor da noite. Soltava fácil do espeto e estava macia, mas também não tinha nada de especial. A muçarela derreteu demais e não ficou crocante por fora. Além disso, estava tão salgada que não dava para comer o espeto inteiro sem beber alguma coisa. O salsichão, que pedimos por último, era totalmente dispensável. Por fora, estava meio queimado, por dentro, não assou direito. O sabor também não agradou – parecia embutido de qualidade inferior.


Para tentar salvar a pátria, pedimos um pão de bacalhau com queijo que até estava gostoso, mas não tinha o menor gosto de bacalhau. Antes tivéssemos pedido o pão de alho tradicional, que seria mais barato e tão bom quanto.

Vamos voltar?
Não. Pode ter sido azar, mas nesse dia nada funcionou direito. O atendimento foi confuso, as bebidas não estavam geladas e os espetos, que custam em média R$ 6, deixaram a desejar. Por menos do que isso, você encontra churrasquinhos mais gostosos e cardápios mais variados por aí.


São Brasa
Rua Gonçalves Dias, 1914
Lourdes

2 de junho de 2015

Os 50 melhores restaurantes do mundo


A edição 2015 dos "50 Melhores Restaurantes do Mundo", promovida pela William Reed Media, mostrou mais uma vez que Lima é o melhor destino gastronômico da América do Sul. Além de emplacar três casas na prestigiada lista, com o Central (quarto colocado), o Astrid Y Gastón (14º colocado) e o Maido (44º colocado), a capital peruana sobressaiu pela escalada da casa do chef Virgilio Martínez, que subiu impressionantes 13 posições no ranking e foi coroada com o título continental. O D.O.M., de Alex Atala, aparece na nona colocação como o melhor brasileiro da lista.

A verdade é que, aos 37 anos, Martínez sabe, melhor que ninguém, que a gastronomia peruana afetou, diretamente, o curso da civilização e é exatamente este o segredo de seu sucesso: usar o alimento como forma de legitimar, internacionalmente, a culinária andina. "A batata é de origem peruana e não há, neste mundo, quem não coma batatas", diz o chef. Para ele, um ingrediente não é, apenas, seu sabor. "É cultura e é nosso dever dar valor aos ingredientes nativos de nosso país", avalia Martínez. "Os chefs estão percebendo seus ingredientes de forma mais intensa, verdadeira, e essa nova tendência fará com que Chile, Argentina, Colômbia e Venezuela ganhem destaque internacional, nos próximos anos".

O chef costuma dizer que tem dois trabalhos em tempo integral: "O primeiro é encontrar coisas comestíveis que estão aqui desde sempre, desde antes da civilização Inca. O segundo é introduzi-las em minhas criações para um público moderno", conta o chef. Para isso, ele viaja para lugares como Puno, na região homônima, a procura de argila comestível, ou para a província de Chanchamayo, onde a casca da árvore Huampo é fervida e servida.

O Central celebra a biodiversidade do Peru com pratos de vanguarda, temperados com ervas e especiarias exóticas. Para experimentar suas delícias, os comensais devem se antecipar, afinal, as reservas costumam ser feitas com, pelo menos, de um mês de antecedência - a casa tem capacidade para apenas 70 pessoas. A boa notícia é que um jantar no restaurante sai mais barato do que comer em muitas pizzarias "chiques" do Brasil.

A cozinha "acristalada" permite que os clientes vejam Martínez em ação. À noite, não há cardápio e são ofertados dois menus degustação: Alturas, com 17 ou 18 etapas que fazem referência à viagens do chef pela Mater Iniciativa (projeto fundado por ele, em 2013, para difusão de ingredientes peruanos), com indicação da altitude onde cada iguaria é colhida (custa 390 nuevos soles, o equivalente a R$ 390), e Corto Central, versão mais "simples", com 11 elaborações (sai por 290 nuevos soles).

10 de maio de 2015

Ali Ba Bar

A 15ª edição do Comida di Buteco já acabou, mas a boa notícia é que os pratos criados exclusivamente para o festival continuam no cardápio dos 45 bares participantes. Nesse ano, visitamos algumas casas, experimentamos os pratos concorrentes e elegemos o nosso preferido. No cruzamento das ruas Matias Cardoso e Paracatu, o Ali Ba Bar foi uma grata surpresa. Com mesas espalhadas pela calçada, gente animada e cardápio diversificado – que conta com boas opções de entradas e pratos principais da culinária árabe e da cozinha mineira -, o imóvel funciona como bar e restaurante durante toda a semana.

Como estávamos lá para experimentar o prato do Comida di Buteco, começamos com uma porção de Kiberitos: quibe recheado com requeijão e doritos (R$ 18,50), que concorria ao prêmio de melhor petisco pelo Desafio Doritos 2015. Enquanto esperávamos, tivemos a infelicidade de pedir duas garrafinhas de Stella, que estavam quentes demais para um sábado ensolarado como aquele. Chamamos outro garçom, explicamos o que aconteceu e pedimos para ele trazer a cerveja mais gelada da casa. Um tempinho depois, ele não só voltou com uma Serramalte quase congelada como cancelou as duas Stellas que tínhamos pedido. Ponto para eles!


A porção ficou pronta rapidinho e, logo na primeira mordida, a nossa primeira impressão negativa se desfez. Os mini quibes estavam quentinhos, crocantes por fora e macios por dentro. A massa fininha deixou o salgado leve, e o requeijão derretido lá dentro estava tão cremoso quanto catupiry. Sem dúvida, esse foi um dos melhores quibes recheados que já comemos em BH. Quase não reparamos nos cinco doritos – só cinco doritos - colocados no meio do prato, que pareciam servir de decoração.

O próximo pedido foi um Tá Fácil pra Ninguém, feito com picanha grelhada, batata baby ao creme de gorgonzola e farofa de banana na folha (R$ 24,50) e uma porção extra de arroz (R$ 6). O prato do festival é mais um tira gosto do que refeição principal, mas serve bem duas pessoas se for o segundo pedido do dia e, principalmente, se vier acompanhado de arroz. A picanha veio cortada em tirinhas, com aquela gordurinha na ponta, e estava bem macia. Não veio ao ponto, como pedimos, mas também não estava passada demais. As batatinhas recheadas estavam ótimas – quentinhas, assadas na medida certa e com a quantidade ideal de gorgonzola. A farofa de banana parecia aquelas feitas em casa, de tão gostosa. Foi a primeira coisa que acabou no nosso prato, e a sugestão é que das próximas vezes ela venha em uma porção dobrada!


Vamos voltar?
Sim! Gostamos muito do ambiente, com mesinhas na calçada e pouco barulho de trânsito, e dos pratos, que são muito bem feitos e têm preço ótimo. Fora da temporada do Comida di Buteco, eles trabalham com outras cervejas diferentes de Skol e Brahma – que estavam em falta no dia da nossa visita. Além disso, ficamos curiosos para experimentar outros itens do cardápio, principalmente da culinária árabe.

Ali Ba Bar
Rua Matias Cardoso, 345
Santo Agostinho

30 de abril de 2015

Vinho sem frescura


O maior desafio que os restaurantes brasileiros enfrentam é transformar a gastronomia em um negócio rentável. Quando o assunto são negócios, a criatividade dos melhores chefs do país encontra um obstáculo intransponível na lucratividade. Sem experiência administrativa, os mestres da culinária só conseguem fechar as contas aumentando os preços e, de em aumento em aumento, acabam é, invariavelmente, fechando as portas. Por exemplo: dá para contar nos dedos, de uma mão, quem consegue rentabilizar sua venda de vinhos e, aqui, como na cozinha, é a falta de planejamento que deixa o incauto na mão dos distribuidores.

Os problemas, para o dono do restaurante já começam quando ele cai no conto da bonificação. Funciona assim: um distribuidor oferece para ele um valor substancial, a partir de R$ 2.000, em produtos, mas condiciona esse “ganho” inicial à assinatura de um contrato leonino, que obriga a casa a lhe dar exclusividade na compra de vinhos. 


Não é preciso ser um gênio da administração para saber que a tal bonificação está embutida na fidelização e, depois de assinar o contrato, o proprietário do restaurante está na mão do fornecedor. Se seus preços subirem, ele tem que repassar para seus clientes e o máximo que consegue, a partir daí, é negociar prazos para quitação das faturas.

Os clientes, que não querem saber dos problemas do “restauranteur” e só estão interessados na comida, vão, ao ver a escalada de preços, debandando. Em um ano, no máximo, desaparecem.

O dono da casa não sabe, mas foi vítima de um maneirismo do mercado. Reza a lenda que “uma boa carta de vinhos tem que ser ampla e representativa”. Em outras palavras, que ela tem que ter dezenas de rótulos diferentes, mas não só isso. Os vinhos têm que ser de produtores de prestígio ou de regiões de prestígio. Bom, a pergunta que faço é uma só: quem disse isso? Jesus Cristo, Buda, Maomé, Fernando Henrique Cardoso?!

Quem conhece a Europa e os Estados Unidos sabe muito bem que essa regra só se aplica a restaurantes luxuosíssimos. Os bistrôs, que servem de modelo para 90% dos restaurantes medidos a besta brasileiros, têm, quando no muito, 12 rótulos na sua carta de vinhos. Seus proprietários sabem, melhor do que ninguém, que a fórmula do renomado Ritz é prejuízo na certa para sua casa.

Com um plano de negócios bem elaborado, qualquer restaurante de Zona Sul pode lucrar de R$ 2.000 a R$ 4.000, por semana. Mas, para isso, o primeiro passo que ele tem que dar é romper os grilhões dos contratos de exclusividade e se dispor a enxugar sua carta de vinhos. Compor uma linha com rótulos de entrada, opções intermediárias e de prestígio – em Belo Horizonte, há um projeto muito interessante neste sentido.

Mas no Reino Tupiniquim, onde a imagem e a fleuma vêm na frente de tudo, à medida que a bonificação se converte em prejuízo, é você, caro leitor e cliente, que paga o pato. Aliás, paga a partir de R$ 85, R$ 90, para beber um rótulo cuja única garantia de origem é uma dor de cabeça, amanhã. Tim-tim!

27 de abril de 2015

A nova loja virtual da Casa Rio Verde


A Casa Rio Verde acaba de lançar uma nova plataforma digital para a compra de vinhos. O VinhoSite chega com duas grandes novidades que certamente irão agradar aos apaixonados pela bebida. A primeira é o VinhoClube, um clube de assinatura por meio do qual o cliente-sócio recebe, em casa, os rótulos selecionados para cada mês. Além de receberem um desconto de até 50% sobre o preço dos vinhos na prateleira, os assinantes têm benefícios em demais compras, cursos, degustações e eventos presenciais da Casa Rio Verde.

A segunda novidade são as ferramentas de busca. Se clicar em "escolha pelo estilo", o cliente irá encontrar os 400 rótulos disponíveis divididos em 12 estilos: tintos leves, macios, intensos, complexos e poderosos; brancos frutados e gastronômicos; espumantes frutados e complexos; e vinhos licorosos. Além das sugestões de rótulos, o site oferece informações gerais sobre cada estilo. 


Outra opção é a busca de rótulos por harmonização. São 80 opções de pratos diferentes, separados por categoria: entradas e aperitivos; queijos; massas e pizzas; risotos; peixes e frutos do mar; carnes brancas; carnes vermelhas e sobremesas. Ao selecionar uma categoria, o site sugere vinhos que harmonizam com aqueles sabores.

A seleção do portfólio é feita pelo gerente de importação da empresa, Haendel Roberto, por meio de visitas pessoais às vinícolas. Assim, ele garante a qualidade dos produtos. "Sempre buscamos as mesmas características organolépticas em nossos vinhos - elegância, equilíbrio, fruta, frescor e persistência. Tudo isso embalado por algo mais abstrato que é a personalidade diferente que cada vinho deve oferecer", define Roberto.

Com a nova plataforma, a Casa Rio Verde pretende ampliar as vendas para todo o Brasil. "Com o know-how da Rio Verde, a funcionalidade do site e o crescimento acelerado do comércio eletrônico no Brasil esperamos um crescimento de 6% nas nossas vendas neste primeiro ano", avalia Gabriel Roberto, gerente de e-commerce do grupo.

Saiba mais: VinhoSite

22 de abril de 2015

Sholl’s Fine Burger


Na última quarta-feira, aconteceu a inauguração da mais nova hamburgueria da cidade, a Sholl’s Fine Burger. E nós, que somos apaixonados por sanduíche, fomos lá conferir! Localizada no coração da Savassi, a casa de dois andares tem decoração e cardápio inspirados no Cinema. Da entrada, dá para se ter uma boa visão do amplo salão principal, onde as paredes são enfeitadas com quadros e painéis de grandes atores, atrizes e clássicos da sétima arte. Django, Matrix, Rocky Balboa e O Poderoso Chefão são alguns dos filmes que batizam os sanduíches.

O menu conta com opções para todos os gostos: há hambúrgueres de filé mignon, baby beef, linguiça caseira, costelinha, cordeiro e frango, preparados de maneira artesanal com 160g de carne fresca. Para os vegetarianos, chamou a atenção o hambúrguer de cogumelos. Quase todos os burgers são acompanhados de batatas fritas, e os preços variam de R$ 13,40 a R$ 32,90.

Nosso primeiro pedido da noite foi um Blade, feito com pão de hambúrguer com gergelim, hambúrguer de cordeiro, muçarela de búfala, creme de hortelã, tomate, alface americana e batata frita palito. Assim que os sanduíches chegaram, reparamos no quanto eles são visualmente parecidos com os do Eddie. O formato do prato, a disposição e o tipo das batatas, o saquinho de papel e o palitinho espetado no pão, tudo lembrou a outra casa. Mas em questão de sabor, a Sholl’s saiu na frente. Feita com capricho, a carne veio ao ponto, exatamente como queríamos, e estava bem macia e temperada. O creme de hortelã, suave, combinou bem com o sabor do cordeiro, assim como a fatia de muçarela, cortada fininha e derretida. Só não era muçarela de búfala, como dizia o cardápio, mas nós até preferimos a tradicional. O pão estava bem fofinho, mesmo depois de frio.


A segunda escolha foi um Spok, montado no pão francês redondo e recheado com hambúrguer de costelinha desossada, queijo cheddar, molho barbecue, alface, tomate e batata palito. Na hora de fazermos os pedidos, perguntamos para a moça que nos atendeu se o hambúrguer de costelinha tinha aquele gosto forte de gordura e ela nos garantiu que não. E realmente não percebemos o menor sinal dela, nem visualmente nem no sabor! A carne estava rosada, macia e muito gostosa. Definitivamente, tinha mais sabor do que a de cordeiro. A generosa fatia de queijo cheddar estava derretida, mas não deu ao sanduíche a cremosidade que esperávamos. Gostamos bastante do molho barbecue, que não estava nem muito doce, nem muito ácido. E com as batatas palito congeladas não tem erro, né? Principalmente quando elas ainda estão quentinhas e crocantes.


Vamos voltar?
Sim! Além de ter ambiente agradável e preços atrativos, a Sholl’s prima pela qualidade dos ingredientes, principalmente dos hambúrgueres, e tem cerveja bem gelada. Com um horário de funcionamento diferenciado – nos finais de semana, fica aberta até 4h da manhã -, a casa é uma ótima opção para quem está saindo de um show ou uma boate na região da Savassi.

Sholl’s Fine Burger
Av. Getúlio Vargas, 1.238
Savassi

13 de abril de 2015

Crepioca


Antes de escrevermos este post, visitamos o carrinho da Crepioca três vezes em diferentes pontos da cidade. Em todas elas, mesmo com a fila grande, fomos muito bem atendidos pelos funcionários. No cardápio há mais de 15 variedades de recheio, salgadas e doces, que podem ser montadas na massa de crepe ou de tapioca. Os preços variam entre R$ 7 e R$ 14, sendo que os crepes, maiores, são um pouquinho mais caros. Para beber, água, refrigerante e suco em lata. Pena que eles não têm suco natural...


Pedimos primeiro um crepe 5 estrelas, recheado com carne seca, catupiry e cebola confit. Achamos a massa muito gostosa, bem parecida com a dos crepes do Verdemar em sabor e no formato. A diferença é que aqui ela estava um pouco mais crocante. O recheio agradou bastante também. A carne desfiada estava bem temperada, macia e nada salgada. O requeijão não era catupiry de verdade, mas não era daqueles vagabundos e estava cremoso. As lâminas de cebola confitadas eram fininhas, mais discretas e combinaram bem com a carne. Dos três recheios que experimentamos, esse foi o mais gostoso.

Nossa segunda escolha foi um crepe clássico truck, de frango com catupiry. Também estava bom, mas frango com catupiry é sempre igual, né? O recheio estava cremoso, quentinho e o frango estava bem temperado. Sem dúvida, foi um crepe muito bem feitinho que cumpre exatamente o que promete, sem surpreender. Se você é apaixonado por frango com catupiry, vale a pena pedir.


Só na terceira tentativa é que conseguimos experimentar a tapioca lombeira, recheada de lombinho, catupiry e abacaxi. Criamos uma expectativa grande em relação a ela e, sinceramente, ficamos decepcionados. Visualmente, o recheio parecia frango, e tivemos que perguntar para nos certificarmos de que era lombinho mesmo. Em questão de sabor, estava gostoso. O requeijão estava bem integrado aos outros ingredientes e o recheio ficou bem cremoso, principalmente no meio. O único porém foram os cubinhos de abacaxi, que estavam doces um pouco além da conta e desequilibravam o sabor do conjunto. A tapioca que o pessoal da Crepioca usa é diferente dessas que vendem em supermercados – os grãos são maiores e eles conseguem fazer a massa um pouco mais grossa, boa para se comer no “cone”.

Vamos voltar?
Sim. Tanto os crepes quanto a tapioca agradaram, e os recheios que experimentamos são gostosos – mas não são excepcionais. Em geral, os pedidos não demoram muito para ficar prontos, então é possível fazer uma refeição rápida se você estiver com pressa. Vale a pena conhecer, mas, tirando o charme do carrinho e a simpatia de todos os funcionários, os crepes do Verdemar são mais baratos e, na nossa opinião, tão gostosos quanto ou até melhores do que os da Crepioca.

2 de abril de 2015

Experimente o Vinho do Mês: abril

Neste mês, o calor do Verão dá lugar ao clima ameno do Outono e, para abril, a promoção 'Experimente o Vinho do Mês' selecionou rótulos que combinam com a estação que antecede o Inverno. São dois varietais da Finca El Origen, umas das mais prestigiadas revelações do Valle de Uco, em Mendoza, e que hoje exporta 90% de sua produção para 37 dos maiores mercados mundiais.


Os rótulos da vez são o Malbec (tinto) e o Chardonnay (branco). Assinado pelo enólogo Gonzalo Bertelsen, o Finca El Origen Malbec 2013 tem cor violeta e aroma de cereja. Na boca, apresenta um frescor decorrente de sua acidez natural que, junto com o dulçor da fruta vermelha, faz dele um vinho agradabilíssimo, indicado para acompanhar carnes e massas.

Já o varietal Chardonnay 2013 sobressai pelo tom amarelo brilhante, um pouco esverdeado. Seu aroma combina notas cítricas e minerais com frutas tropicais e, na boca, sua estrutura média tem acidez balanceada e um final elegante, persistente. É ideal para acompanhar carnes brancas e, é claro, saladas.

Os restaurantes participantes do 'Experimente o Vinho do Mês' combinam o melhor da cozinha internacional e da gastronomia autoral, em endereços nos mais prestigiados e tradicionais bairros de Belo Horizonte. Conheça nosso time: Badejo, Birosca S2, Don Pasquale, El Toro, Ephigênia Bistrô, Est! Est!! Est!!!, Nonna Carmela, Oak, Osteria Degli Angeli, Patuscada, Saatore, Santa Pizza, Taberna Livorno e Trindade.

20 de março de 2015

Festival Izakaya: Takê e Mayu

Takê

Já tínhamos passado na porta do Takê várias vezes, mas ainda não conhecíamos o restaurante. Com um salão amplo, mesas largas e decoração moderna, a casa é famosa pelo buffet à quilo e rodízio bastante variados. O atendimento, feito por funcionários simpáticos e eficientes, nos surpreendeu positivamente.


O prato criado para o Festival é, na verdade, um menu bastante variado: duas entradas, prato principal e sobremesa. O Takêuai (R$ 59,90) começou com dois harumaki de bacon com alho poró e requeijão cremoso e um sunomono com fatias de polvo. A massa dos rolinhos primavera estava sequinha, muito crocante e quentinha. O recheio não estava muito cremoso, mas agradou muito. Os cubinhos de bacon macios combinaram com o alho poró, e nós achamos que a adaptação “mineira” foi bem sucedida. A salada de pepino com polvo, por outro lado, estava bem sem graça. Por mais que tivessem sido cortadas bem fininhas, as rodelas do pepino não tinham gosto de nada e quase nenhum tempero. As fatias de polvo até que foram bem cozidas, mas faltou alguma coisa.

A segunda parte do prato era um combinado dividido em duas partes: uma quente e uma fria. O salmão maçaricado com camarão cozido, cream cheese e pesto foi um dos melhores da noite. Macias e saborosas, as seis unidades foram colocadas sobre um molho de mostarda e mel suave, que a gente adora. Os escondidinhos de salmão marinados na cachaça mineira, recheados com cream cheese e pimenta doce foram uma ótima surpresa e uma explosão de sabores deliciosa e diferente de tudo o que já comemos. Como tinha sido marinado, o peixe não tinha aquele gosto forte. A quantidade de cream cheese foi boa, assim com a de geleia de pimenta, que também estava bem gostosa. De todas as novidades que o Takê agregou ao prato, a pimenta doce certamente foi a melhor. Na outra parte do combinado, os sushis e sashimis de salmão, atum, peixe branco e kani estavam fresquinhos e foram bem preparados. Para finalizar, as quatro unidades de uramaki Filadélfia eram mais comuns, mas não menos saborosas.

De sobremesa, dois rolinhos deliciosos recheados com um doce de leite escuro, mas não tão doce - tipo o doce de leite Viçosa -, com uma bola de sorvete de queijo Minas. Os canudinhos eram mais fininhos e estavam bem crocantes e recheados. O sorvete até que era cremoso, mas decepcionou um pouco por conta dos pedaços de queijo meio duros que tinham gosto muito forte. Preferiríamos se fosse um sorvetinho básico de creme, que não tem erro.

Nossa avaliação: o Takêuai é uma refeição completa e variada que deve agradar a todos os gostos. O restaurante atendeu bem a proposta do Festival, conseguiu inserir ingredientes mineiros à culinária japonesa de forma sutil, sem comprometer o resultado de nenhum item, e tem preço muito bom. Ganhou pontos com a gente pelo capricho na preparação e na montagem dos pratos, pela qualidade dos ingredientes e pela criatividade. Vale a pena experimentar!

Takê
Rua Professor Moraes, 659
Funcionários


Mayu
 
Conhecemos o Mayu no ano passado e, desde então, ele virou o nosso restaurante de cozinha oriental preferido de BH (tem resenha de uma das nossas visitas aqui). Além de ambiente moderno e bem decorado, a casa tem um cardápio bem completo. São várias opções de combinados, robatas, yakissobas, petiscos e entradas. Não experimentamos tantas quanto gostaríamos, mas tudo o que comemos lá foi ótimo. Quando soubemos que o Mayu seria um dos dez participantes do Festival, já sabíamos que ele ficaria entre os três melhores. E estávamos certos!


O prato criado para o evento é o Lareira de Minas (R$ 59,90), composto de oito unidades de salmão Romeu e Julieta maçaricado regado com cachaça e mais oito de sushi de salmão ao molho de mel com finas lascas de laranja. A disposição dos itens no prato ganhou pontos com a gente logo de cara. As unidades de salmão Romeu e Julieta estavam cada uma em uma colher, intercaladas com as de sushi. Duas foram colocadas em outro recipiente no centro do prato para serem maçaricadas na hora, na frente do cliente. Quando comemos essas duas, elas ainda estavam quentinhas. O queijo estava bem derretido e os pedacinhos de goiabada, molinhos. O que nos agradou bastante foi a proporção perfeita no uso de cada ingrediente. Os sushis de salmão também estavam muito bons. O molho de mel foi usado em pequena quantidade mas, somado às lascas de laranja, temperou bem o peixe. Eu, que nunca gostei muito de sushi por achar a quantidade de salmão exagerada e o gosto muito marcante, adorei o de lá.
 
Nossa avaliação: Além de lindo, o Lareira de Minas é uma delícia. Muito bem preparado, feito com ingredientes fresquinhos e de ótima qualidade, não conseguimos imaginar como ele poderia ser melhor! Nossa única ressalva é em relação ao tamanho do prato, principalmente se compararmos com os outros restaurantes que visitamos durante o Festival. O Lareira de Minas é ótimo como segundo prato ou como entrada para um yakissoba, por exemplo. Nesse dia, pela primeira vez, sobrou espaço para a sobremesa. Em termos de qualidade, ele é irretocável. Sem dúvida, o melhor que experimentamos até agora!

Mayu
Rua Rubim, 107
Sion

11 de março de 2015

Festival Izakaya: Hamoni e Nagomi


Até o dia 28 de março, acontece em BH a primeira edição do Izakaya Festival Gastronômico Oriental. Os dez restaurantes participantes elaboraram pratos exclusivos para o evento, cuja temática é "Japão Minas". Durante o festival, os pratos, o atendimento, o ambiente e a criatividade de cada casa serão avaliados por meio de votação popular e júri técnico.
Os restaurantes participantes são: Art Sushi, Hamoni, Hannah, Kabuto, Kinoko, Mayu, Nagomi Sushi Bar, Takê, Tarê e Tokyo Sushi.


Hamoni

Ainda não conhecíamos uma das mais novas casas de culinária oriental de BH, que funciona há cerca de três meses no bairro Sagrada Família. Da entrada do pequeno restaurante, reparamos na decoração discreta, mas bonita, nas mesas e cadeiras de madeira escura e no uniforme dos garçons. O atendimento foi simpático e eficiente, mesmo quando a casa já estava bem cheia. Enquanto o nosso pedido não chegava, folheamos o cardápio e encontramos várias opções de pratos quentes, além dos combinados, todas com preço bom.


O prato criado para o festival é o Uai Moni (R$ 59,90), um combinado com 26 peças que, à primeira vista, já agradou muito. Começamos pelo gunkan de salmão Romeu e Julieta, feito com cream cheese, queijo coalho e goiabada - o mais diferente deles. Como o peixe foi grelhado no maçarico, os pedacinhos de queijo coalho ficaram levemente derretidos. O doce dos cubinhos de goiabada harmonizou bem com os outros ingredientes e nos surpreendeu positivamente. O niguiri de salmão maçaricado regado ao molho teriaki e limon pepper foi bem preparado, mas não trouxe nenhuma novidade em termos de sabor. O uramaki filadélfia enrolado com couve detalhado com alho poró grelhado também nos agradou bastante. Já que a ideia era utilizar elementos da cozinha mineira nas peças, achamos que a couve substituiu muito bem a alga e, além de deixar o prato mais bonito, ainda tinha um sabor bem agradável. Só o alho poró que passou despercebido por nós, mas não fez falta. O gunkan de couve com tartar de salmão e cebolinha e o maki salmão com queijo coalho forrado com couve em formato de gota também estavam bem gostosos, apesar de serem comuns. Outra boa surpresa foi a batata doce crisp que enfeitava o prato. Cortada bem fininha, ela estava super crocante!

Nossa avaliação: o Hamoni cumpriu muito bem a proposta do Festival. Os chefs criaram um combinado original, bonito e bem variado, fizeram boas adaptações às receitas e utilizaram ingredientes de ótima qualidade. O prato serve bem duas pessoas e ainda sobra espaço para pedir uma sobremesa. Vale a pena experimentar!

Restaurante Hamoni
Rua Conselheiro Lafaiete, 2027
Sagrada Família


Nagomi Sushi Bar

Nossa segunda parada foi o restaurante Nagomi, que ocupa o segundo andar de um imóvel no bairro Nova Floresta. Enquanto subíamos as escadas, estranhamos o espaço. Bem pequeno, com o piso irregular e quase nenhuma decoração, o ambiente parecia improvisado. Com a exceção de uma bancada com dois sushimen caracterizados, nada naquele lugar dava a sensação de que estávamos em um restaurante de cozinha oriental.


Se a primeira impressão já não tinha sido muito boa, o prato criado para o Festival não ajudou a melhorá-la. O Ousadia (R$ 60,00), combinado de 40 peças, foi um grande fracasso. Começamos pelo ceviche à moda do chef, feito com frutos do mar e molho especial. Os quatro camarões empanados que pendiam da taça de vidro deveriam ser só decorativos – decepcionaram pelo tamanho e pelo sabor. Primeiro porque sobrava massa e faltava camarão. Segundo porque a massa parecia ter sido frita em óleo velho. A pontinha do empanado que estava mergulhada no ceviche tinha tanta pimenta que nem tivemos vontade de experimentar a marinada de frutos do mar. Nossa taça permaneceu intocada. O uramaki de frango com requeijão, ervas finas e nachos estava frio, borrachudo e seco. O gosto dos nachos lembrou o de fandangos, e o requeijão, que poderia salvar, não apareceu – nem visualmente nem em termos de sabor. O maki filadélfia, menos criativo, também não estava bom. Parecia que tinha sido preparado há mais tempo. O gunkamaki de salmão com arroz, cream cheese, molho de maracujá e raspas de limão era o melhor do combinado. O peixe parecia mais fresco e o sabor do maracujá combinou com a pequena montanha de cream cheese colocada sobre o arroz. Não sentimos o gosto das raspas de limão... O sushi de salmão, por mais simples que fosse, não foi bem preparado. O peixe, que deveria estar brilhando, deu a impressão de não ser do dia.

De sobremesa, duas fatias de banana empanadas, recheadas com doce de leite e cobertas por queijo minas flambado. Na primeira mordida, sentimos um alívio. Estávamos esperando uma quantidade maior de doce de leite, mas ainda assim todos os ingredientes estavam bons.

Nossa avaliação: é difícil falar bem de um prato que não conseguimos comer. Não sabemos dizer o que aconteceu com o combinado do Nagomi, mas a verdade é que, independente do sabor de uma comida agradar ou não, quando desconfiamos da qualidade dos ingredientes a coisa fica séria - principalmente quando se trata de peixe cru. Não vamos voltar ao restaurante e não recomendamos a visita.

Restaurante Nagomi Sushi Bar
Rua São Gonçalo, 1007
Nova Floresta

25 de fevereiro de 2015

Duke n Duke Maletta


Na semana passada, conhecemos a unidade do Duke no Maletta: a casa segue o padrão da matriz, do ambiente ao cardápio. A diferença é que o novo espaço é bem maior – tem dois andares e salões mais amplos. Como era carnaval, poucas mesas no primeiro andar estavam ocupadas e o segundo estava deserto, mas vale a pena ficar por lá em dias mais cheios. Tínhamos um garçom praticamente só pra gente, o Renato, então o atendimento foi excelente. As cervejas chegaram rápido, os pedidos foram anotados corretamente e também não demoraram, a conta foi instantânea.

Estávamos em dúvida sobre quais sanduíches iríamos escolher quando o Renato nos sugeriu um que não está no cardápio: o Gainsbourg, que participou da última edição da Festa Francesa e que a casa ainda está fazendo por tempo limitado. É claro que topamos experimentar na hora! Montado no pão de sal, ele leva burger de picanha, cream cheese, alface americana, alho poró e cogumelos paris flambados no vinho branco. Pedimos que a carne viesse ao ponto, e ela estava exatamente como queríamos. O sabor da picanha é que não estava muito destacado. O cream cheese que cobria toda a superfície do hambúrguer foi bem derretido e envolveu as lâminas de champignon e as fatias de alho poró. Aqui não houve uma explosão de sabores como nos outros sanduíches, mas tudo foi preparado com tanto capricho e combinou tão bem que o conjunto foi nota 10. Para acompanhar, uma montanha de batatas chips bem crocantes.


Nosso outro pedido foi um Charles, novidade no cardápio desde o final do ano passado. O sanduíche criado em comemoração aos 4 anos do Duke leva hambúrguer de picanha Red Angus com molho chimichurri, bacon, cream cheese defumado no tabasco, cubos de tomate, alho poró e alface americana com vinagrete italiano (R$ 39,90). Nossa expectativa em relação à carne era grande mas, fora o preço, não vimos muita diferença da picanha de Red Angus para a normal. Ela estava suculenta e veio ao ponto, conforme pedimos, mas tinha sabor inexpressivo. Achamos até que faltou um temperinho, já que o molho chimichurri também não apareceu. As fatias de bacon estavam gostosas e combinaram muito bem com o delicioso creme formado pelo cream cheese, o tomate e o alho poró. Quem não gosta de pimenta, como eu, também acharia que a quantidade de molho tabasco foi um pouco exagerada, mas nada que prejudicasse o sabor do sanduíche. Para acompanhar, pedimos as batatas tradicionais com sal, que são sempre boas!


Vamos voltar?
Sim! A segunda unidade do Duke não perde em nada para a primeira, e ainda é maior e mais espaçosa. Imagino que ela também fique cheia nos finais de semana mas, pelo menos nessa primeira visita, o atendimento foi incomparável. Da próxima vez, vamos nos sentar no andar de cima, que consegue ser mais charmoso do que o primeiro!

Duke n Duke
Av. Augusto de Lima, 245
Centro

20 de fevereiro de 2015

Duke n Duke Savassi


O Duke n Duke já é tão famoso e tão querido por tanta gente que dispensa apresentação, né? Nós, que somos apaixonados por hambúrguer, também achamos que os de lá estão entre os melhores de BH. A pequena unidade na Savassi tem ambiente escurinho, com luz baixa bem em cima das mesas, suficiente para criar um clima bastante intimista. Só não é mais aconchegante porque o ar condicionado é sempre muito forte. Das caixas de som saem clássicos do rock, do jazz e do blues.

A casa tem capacidade para 40 pessoas e, apesar de quase sempre estar lotada, tem atendimento eficiente. Os pedidos não saem rápido, mas a cerveja está sempre gelada e os pratos são montados com cuidado. No cardápio, além das entradas tradicionais, os sanduíches diferenciados são batizados com nomes de alguns dos músicos de todos os tempos. Todos os burgers acompanham batatas fritas artesanais - aquelas mais gordinhas, crocantes por fora e macias por dentro - ou chips. O tempero pode ser cítrico, picante ou sal normal.

Como já sabíamos que os sanduíches seriam grandes, pulamos a entrada. Nossa primeira escolha foi um Armstrong: pão de hambúrguer, burger de picanha, queijo prato, bacon, cebola roxa, home sauce e alface americana (R$ 29,90). Sem muita invencionice, essa combinação agrada principalmente pela qualidade dos ingredientes. A carne de 180g estava suculenta, bem temperada e coberta por uma camada generosa e derretida de queijo. Ao invés de um simples molho de tomate, o home sauce era feito com pedaços de tomate assados, macios e levemente temperados, que fizeram toda a diferença. As tirinhas de bacon, sempre gostosas, equilibraram a quantidade de sal no sanduíche e a cebola, cortada em rodelas grandes, era fácil de dispensar.


O segundo pedido do dia foi um Getz, feito com pão de sal redondo, burger dupla face de picanha e linguiça de lombo, campanha de pimenta biquinho e cebola cristal, queijo canastra e alface americana (R$ 32,90). Decidimos por esse porque nunca tínhamos experimentado um hambúrguer de linguiça de lombo, e valeu a pena. A metade mais clara do disco era leve, saborosa e nada gordurosa, e combinou bem com o queijo canastra derretido. O molhinho feito com pimenta biquinho e cebola estava bem suave – dava para sentir o gosto da pimenta de longe, e a cebola também não era exagerada. Para acompanhar os dois pratos, pedimos batatas fritas rústicas, que também estavam ótimas - crocantes por fora e macias por dentro – temperadas com sal.


Vamos voltar?
Com certeza! O Duke n Duke é o lugar ideal para uma sexta-feira à noite. Tem boas opções de cervejas, entradas e, claro, sanduíches. Não é barato, mas os preços também não são absurdos e a qualidade é indiscutível. A dica é chegar mais cedo, porque a casa é pequena e sempre tem fila de espera.

Duke n Duke
Rua Alagoas, 1470
Savassi

12 de fevereiro de 2015

Taberna Livorno


Na semana passada, conhecemos a Taberna Livorno, um misto de restaurante, adega e delicatessen bem interessante que abriu recentemente no bairro Castelo. No salão principal, além das duas grandes paredes cobertas por mais de 200 garrafas de vinho, cervejas especiais e espumantes, há uma mesa comprida de madeira, ideal para se sentar e escolher com calma os rótulos que você quer experimentar. O salão interno é mais iluminado e decorado com tons mais sóbrios e elegantes, com mesas e cadeiras em madeira escura. Os vasinhos com flores coloridas em cima de cada mesa dão vida ao ambiente, e o piano, comandado pelo Seu Onofre, é uma atração à parte.

O atendimento foi ótimo do início ao fim - funcionários solícitos, embora sumissem de vez em quando, chef muito simpático e a proprietária, Valéria, é um amor de pessoa e nos recebeu super bem.

No cardápio há boas opções de entradas, massas, carnes e peixes. Algumas combinações, inclusive, são criações do chef Sidney Castro e valem ser experimentadas. Para começar, pedimos um mix de bruschettas (R$ 35) com quatro sabores. O primeiro que experimentamos, de salaminho com mostarda, era bem simples, mas estava gostoso. Mais simples e ainda melhor foi o de tomate, que estava bem vermelhinho. O de morango com queijo brie surpreendeu e foi o mais gostoso!


O primeiro prato principal foi uma generosa posta de bacalhau com batatas ao creme, azeitonas pretas e tomate. O peixe estava bem sequinho, macio e tinha sal na medida certa. As batatas, cozidas e cobertas por um molho branco encorpado e muito saboroso, estavam ótimas. Tomatinhos assados e azeitonas pretas completavam o prato muito bem executado e que, na nossa opinião, só pecou pelo excesso de lâminas de alho fritas em cima do bacalhau.


Nossa outra escolha foi o risoto de camarão VG, que também estava muito gostoso. O ponto do arroz al dente e a consistência mais sequinha agradaram muito, assim como a quantidade, a textura e o sabor dos camarões. Para ficar ainda melhor, o tempero suave poderia ter sido complementado com um pouquinho de pimenta do reino.


No final, ainda sobrou espaço para a sobremesa. A panna cotta com calda de frutas vermelhas que pedimos para dividir estava boa - o creme estava molinho e a calda com pedaços de fruta parecia bem fresquinha, mas achamos que faltou alguma coisa. Talvez um pouquinho de baunilha... Da próxima vez, vamos experimentar o alfajor líquido!


Vamos voltar?
Sim! Além da boa comida e da simpatia de todos os funcionários, a Taberna Livorno tem ambiente super agradável e um climinha romântico bem especial, do tipo que é difícil de encontrar em outros restaurantes de BH.

Taberna Livorno
Avenida Tancredo Neves, 2309
Castelo