31 de outubro de 2014

Mayu


O Mayu foi uma ótima descoberta que fizemos recentemente, graças ao Duo Gourmet. O restaurante aposta em pratos da cozinha japonesa moderna, e logo na entrada já é possível perceber que todo o ambiente segue a mesma linha. O salão principal é bem iluminado, as cadeiras são de plástico e a decoração é moderna e clean até demais.

Nas duas vezes em que fomos almoçar no Mayu, o atendimento foi simpático e eficiente. O cardápio é enorme e bem variado, com boas opções de entrada, pratos quentes, robatas e muitos combinados. Além de cervejas, sucos e refrigerantes, eles têm uma boa carta de drinks feitos com saquê. Para começar, pedimos Chips Mayu (R$ 26), feitos com tartar de salmão, cream cheese, nabo, geleia de amora montados em batatas estilo Pringles. Os chips pareciam canapés, de tão bonitos! Acho tartar um pouco enjoativo, mas aqui, em pouca quantidade e combinado com as batatas salgadinhas e a geleia doce, ficou bem gostoso.


O primeiro prato quente que pedimos foi o Yakisoba de frutos do mar (R$ 51) com molho tonkatsu, que chegou à mesa em dois pratos compridos e estava muito gostoso. Os poucos camarões não eram muito grandes, mas estavam saborosos. A lula cozinhou um pouco além da conta e estava um pouco borrachuda. Os brócolis, o repolho, a acelga e as cenouras vieram na quantidade ideal e complementaram bem a massa. Para completar, o sabor leve e adocicado do molho tonkatsu surpreendeu positivamente.


Outro pedido da nossa mesa foi um Mayu udon, feito com massa da casa ao curry, coco e frutos do mar (R$ 59). O garçom nos explicou que, além de ser um prato exclusivo da casa, a principal diferença entre ele e o yakisoba tradicional era o tamanho dos camarões. E é claro que essa informação nos convenceu! A massa al dente estava muito gostosa e, no primeiro momento, combinou bem com molho feito com curry e coco. Os frutos do mar foram bem preparados e estavam melhores do que os do yakisoba. Os camarões realmente eram maiores e vieram em maior quantidade, e dessa vez a lula estava no ponto certo de cozimento. Mas depois de algumas garfadas, a comida ficou enjoativa e o sabor apimentado do curry começou a incomodar. Sentimos falta de alguns legumes e verduras, que poderiam suavizar os sabores mais fortes.


Vamos voltar?
Sim. Para quem não é muito fã de peixe cru, o Mayu tem ótimas opções de petiscos e pratos quentes - para quem gosta, o cardápio de combinados é enorme, e os preços não são diferentes de outros restaurantes japoneses da zona sul. Os pratos individuais são mais caros, mas são tão grandes que vale a pena dividir e experimentar alguma sobremesa.

Mayu
Rua Rubim, 107
Sion

23 de outubro de 2014

Ficus

Foto: Degustatividade

No sábado passado, fomos almoçar no Ficus, um restaurante simpático localizado em uma área mais tranquila do bairro de Lourdes. A casa é dividida em dois ambientes: o salão interno, amplo, sóbrio e bem decorado, e a pequena varanda, agradável e informal. Mais uma vez, optamos por ficar na varanda para aproveitar a tarde quente e ensolarada e admirar a árvore enorme que fica quase na entrada do restaurante.

No cardápio há boas opções de saladas, peixes e carnes. Os rolinhos de camarão que pedimos de entrada estavam gostosos, mas não tinham nada de especial. A massa, igual à do tradicional rolinho primavera, estava mais gordurosa do que esperávamos, e o recheio seco decepcionou um pouco. O molhinho picante de goiaba que acompanhava o prato também era sem graça.


O primeiro prato principal do dia foi uma moquequinha de peixe e camarão, arroz, pirão e batata palha, que chegou à mesa bem quentinha e estava deliciosa! O peixe branquinho e macio era acompanhado de camarões grandes e tenros – sem miséria – e pedaços de tomate cozidos em um caldo mais encorpado e muito saboroso, temperado com azeite de dendê. O pirão veio em uma cumbuquinha separada e tinha a consistência ideal, nem muito mole e nem empelotado. O arroz branco estava macio e soltinho, e a batata palha, muito fininha, crocante e sequinha, parecia ter sido frita na hora.


O próximo prato escolhido foi o atum em crosta gergelim ao molho de jabuticabas, batatas coradas e alho poró crocante, muito bem preparado e indicado para os amantes da culinária japonesa. A generosa posta de atum é selada e, mesmo que o modo de preparo seja diferente, o peixe traz textura e notas de sabor que lembram a culinária oriental. A combinação com o molho de jabuticaba, uma das especialidades do chef Mauro Bernardes, e os outros ingredientes foi bem sucedida.


Quando trouxe o cardápio de sobremesas, o garçom sugeriu o Chocolate Love, feito com brownie, sorvete e calda de nutella quente, e nos convenceu na hora! Pedimos um para dividir, e o doce realmente era lindo e delicioso! Dividida em três andares, com uma bola de sorvete de creme entre as duas camadas do bolinho, e coberta com muita nutella e amêndoas, a sobremesa só não foi perfeita porque acabou rápido demais. O contraste entre quente e frio funcionou super bem, e o sorvete de sabor mais suave quebrou o doce do brownie e da nutella. A nossa dica é: não deixe de experimentar!


Vamos voltar?
Sim. O restaurante tem ambiente agradável, ótimo atendimento, preços compatíveis com os da região e pratos autorais. Além de criativas, as receitas são bem executadas e chegam à mesa com uma boa apresentação.

Ficus
Rua Felipe dos Santos, 162
Lourdes

13 de outubro de 2014

Trindade


O Trindade é um dos lugares mais charmosos da cidade! O restaurante ocupa um antigo casarão no bairro de Lourdes, que passou por reformas mas manteve alguns detalhes originais, como o piso da varanda e uma parede coberta por azulejos no salão principal. A decoração da área interna mistura elementos clássicos e contemporâneos, como os painéis do artista Rogério Fernandes e os móveis mais rústicos, enquanto a área externa é aconchegante e intimista. Principalmente aos finais de semana, a varanda é o espaço mais concorrido do restaurante - também é o nosso preferido.

No cardápio, ingredientes tradicionais da cozinha mineira se misturam aos da cozinha contemporânea. O resultado são combinações originais que conquistam pela qualidade e pelo sabor. O garçom que nos atendeu, Laudimar Dias, foi simpático e atencioso do momento em que chegamos até a hora que saímos, quando já passava das 17h. De entrada, pedimos as tulipinhas de frango, indicação do garçom que foi aprovada. Feitas com um corte da asa e acompanhadas por um molho de mel e mostarda (R$ 24), as nove unidades eram crocantes por fora, macias por dentro e temperadinhas.


O primeiro prato principal que pedimos foi um Noisette de filet mignon com arroz proibido. A carne veio ao ponto, exatamente como foi pedido, e estava suculenta e macia. O arroz proibido, na verdade, era arroz negro com catupiry. Ele veio separado, estava realmente maravilhoso e combinou perfeitamente com os medalhões. Foi a primeira vez que comi arroz negro com catupiry e, pelo menos visualmente, ele veio diferente do que eu esperava. A consistência lembrou a de risoto, mas aqui os grãos estavam mais durinhos, e o sabor do queijo era suave.


A segunda escolha foi o Bacalhau Vera Cruz que, de acordo com o garçom, é um dos mais pedidos da casa. A apresentação do prato, como sempre, foi impecável. As duas postas generosas de bacalhau eram macias e tinham sabor suave, temperadas somente com azeite e alecrim. Como acompanhamento, os legumes orgânicos cozidos também estavam muito gostosos. Esse é um prato leve, delicioso e que vale a pena ser repetido.


De sobremesa, pedimos um crème brulée de doce de leite Viçosa com flor de sal (R$ 18). Ainda bem que não saímos de lá sem comer essa delícia! A casquinha crocante era fininha e cobria toda a superfície da vasilha. Por baixo dela, o delicioso creme de doce de leite, leve, molinho e frio, que conquistou nossos corações logo na primeira colherada. Dessa vez, pedimos um só para dividir, mas aposto que cada um teria dado conta de comer um inteiro. Na nossa opinião, é o melhor crème brulée de BH!


Vamos voltar?
Sim! Além do ambiente super agradável e dos pratos deliciosos, o Trindade tem uma cozinha autoral, preços compatíveis com o que oferece e atendimento diferenciado. Ficamos curiosos para experimentar o arroz de polvo, que com certeza será um de nossos pedidos da próxima vez!


Trindade
Rua Alvarenga Peixoto, 388
Lourdes

1 de outubro de 2014

Auguri Pizzaria & Forneria


O Santa Tereza é um bairro que sempre teve vocação boêmia, mas só de uns cinco anos para cá a região ganhou restaurantes à altura dessa tradição. O mais novo deles é a Auguri Pizzaria & Forneria, em funcionamento há pouco mais de cinco meses. Comandada pelos sócios Cirineu Tarsício e Enderson Moreira, a casa tem um salão amplo, forno à lenha e decoração rústica, apostando em ingredientes nobres e combinações inusitadas para conquistar seu espaço em um segmento bastante concorrido.

Sem tanta pompa e circunstância, a Auguri se destaca pelo capricho na preparação da massa, realmente fininha e deliciosa, e pelo atendimento atencioso e informal. Além dos 30 sabores de pizza, completam o cardápio boas opções de saladas, entradas, paninos e calzones. Para começar, pedimos um pão de pizza com carne seca e alho poró. Do tamanho de uma pizza brotinho, a massa lembrava um pão sírio mais firme e crocante, muito bom. O recheio estava bem gostoso, mas não surpreendeu.

As pizzas têm seis fatias e, como nessa primeira visita a nossa ideia era experimentar combinações exclusivas da casa, quisemos escolher dois sabores. Em uma primeira olhada no cardápio, a Camões, que leva camarão, tomate sem pele, molho de tomate, queijo tipo catupiry e pesto de manjericão (R$ 52) chamou a nossa atenção. Encontrar uma pizza com camarão que realmente tenha gosto de camarão é um desafio aqui em BH, mas essa passou no teste com louvor! Assim que chegou à mesa, surpreendeu pela aparência. Os camarões, grandes, tenros e saborosos, estavam dispostos simetricamente sobre o disco, coberto por uma camada de catupiry e outra de tomate. Uma faixa de pesto, que enfeitava cada fatia, deixou a pizza ainda mais bonita, e o sabor do molho, apesar de marcante, combinou bem com o dos outros ingredientes. 


A outra opção escolhida foi uma indicação de um dos sócios e vai representar a casa no Circuito Gastronômico Italiano, que acontece durante o mês de outubro. A pizza Alabastro é ideal para os vegetarianos: ela combina molho de tomate, muçarela, burrata La Bufalina, tomates italianos sem pele com pesto de azeitonas pretas e também custa (R$ 52). Com um sabor bem diferente, ela talvez não agrade a todos. A burrata, muito cremosa – e derretida em algumas partes -, conseguiu suavizar o gosto forte do pesto, que era delicioso, mas um pouco enjoativo. Vale a pena experimentar, mas a nossa dica é não pedir uma inteira desse sabor.


Vamos voltar?
Sim! Longe da badalação, a Auguri é uma ótima opção para quem sai dos teatros Alterosa ou Sesiminas e procura um lugar para fazer a resenha do espetáculo. A casa tem um atendimento exemplar, receitas autorais e trabalha com ingredientes de qualidade. Em uma próxima vez, vamos experimentar um dos calzones!

Auguri Pizzaria & Forneria
Rua Alabastro, 38
Santa Tereza