6 de setembro de 2014

Gomide


O Gomide é um daqueles restaurantes que fazem questão de ser clássicos do ambiente à decoração. Assim como nos bistrôs franceses, suas mesas são montadas com vasinhos de flor, guardanapos de pano e taças de vinho. Apesar de prezar pela sofisticação, a casa peca pela pouca iluminação do salão que, se à noite pode ser sinônimo de charme, atrapalha durante o dia. As nossas fotos, que são feitas com celular, ficaram completamente escuras quando o sol começou a baixar.

Assim que escolhemos a nossa mesa, o garçom trouxe o couvert: uma cesta de pães com manteiga e patês (R$ 12 por pessoa). Tudo estava uma delícia. As torradas, fininhas, pareciam ter sido feitas há pouquíssimo tempo e estavam tão crocantes que dispensavam acompanhamento. As fatias de pão francês mais grossas, igualmente boas, combinavam muito bem com os patês. A vontade era de comer a cesta inteira, mas nos controlamos para pedir os pratos principais.

O primeiro foi um medalhão de filet com cogumelos frescos, batatas dauphnoise e molho bordelais (R$ 65). A carne veio ao ponto, como pedido, e estava super macia. Como os dois medalhões eram mais “altinhos”, estavam mal passados no cerne, mas nada que atrapalhasse. O molho à base de tinto e cebola era suave e saboroso, e os cogumelos shitake e shimeji, que têm gosto mais forte, davam equilíbrio ao conjunto. A maior surpresa foram as batatas dauphnoise, que conquistaram um lugar cativo em nossos corações. As finas camadas de batata eram alternadas com camadas de um queijo bem leve e cremoso e, para finalizar, uma casquinha crocante dava um toque especial. Ficamos impressionados em ver como um acompanhamento tão comum e fácil de fazer pode se transformar em algo maravilhoso, que quase conseguiu tirar o brilho dos medalhões. Esse é um prato que a gente indica sem medo de ser feliz!

O segundo pedido, infelizmente, decepcionou. O fettuccine ao funghi com steak de filet grelhado (R$ 62) era um prato muito farto, mas não foi tão bem executado. O molho de funghi tinha um sabor muito agradável e combinava com a massa, que estava al dente. Mas se sobrou quantidade, faltou delicadeza, principalmente no preparo do steak. A carne era uma peça grande, mas estava seca e dura. No fim das contas, ficou a impressão de que esse é um prato muito mais voltado para a saciedade do que para a experiência gastronômica - visual e sabor diferenciados.


De sobremesa, pedimos um crepe l'orange (R$ 18) para dividir. A apresentação do prato é linda, mas logo na primeira colherada ficamos um pouco decepcionados. A massa sem recheio boiava em uma calda de laranja, que era quente e tinha muito gosto de canela. O doce era, no mínimo, enjoativo. Mesmo para dividir com mais uma pessoa. A única coisa que salvou foi a bola de sorvete de creme, que conseguiu suavizar os sabores fortes da calda.

Vamos voltar?
Só em dias de promoção. O Gomide tem um ambiente bem decorado e ótimo atendimento, mas é caro. Os pratos estão na faixa de R$ 80 - o mais caro custa R$ 99 -, preço mais alto do que a média em outros restaurantes tão bons quanto ou melhores.

Gomide
Rua Tomás Gonzaga, 189
Lourdes

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