24 de setembro de 2014

Casa Amora

Fonte: Casa Aberta

Na semana passada, conhecemos a Casa Amora, um restaurante lindo e que tem uma proposta bem interessante. Comandado por três amigas nutricionistas, o lugar é tipo um self-service de comida saudável. Já gostamos da Casa logo na entrada. Com mesinhas na varanda e jardineiras nas janelas, o local é simpático e aconchegante. Do lado de dentro, o ambiente é claro, amplo e muito bem decorado com móveis coloridos, parede de tijolinhos e vasinhos de flor. Atrás do balcão, livros, garrafas coloridas e xícaras são acomodados em nichos de madeira.

Os pratos são montados em um esquema parecido com o do Subway. De um lado do balcão, você escolhe uma opção de carne e os acompanhamentos, enquanto uma pessoa do outro lado coloca no prato as quantidades que você quiser. No final, ainda é possível escolher entre as duas opções de suco e servir o seu próprio copo (R$ 3,70). A cada dia, a Casa prepara um menu diferente - que fica exposto em um quadro negro bem na entrada - , e os preços variam de acordo com a carne e a quantidade de acompanhamentos que o cliente pedir. Na terça, as opções eram:

I - Frango com quiabo
II - Surubim com leite de coco e açafrão
III - Hambúrguer caseiro

Fonte: Casa Aberta

Como chegamos mais cedo, por volta das 12h, o lugar ainda não estava cheio, e a moça que nos atendeu primeiro, muito educada, nos explicou com calma como funcionavam os pedidos. Aliás, todos os funcionários são simpáticos e atenciosos! Nossas escolhas foram bem parecidas. A primeira foi o surubim e dois acompanhamentos: mix de folhas e salada com tomate, queijo, azeitonas pretas, cebola e pepino. A segunda também foi o peixe, o mix de folhas e uma porção de arroz com brócolis. Além dessas, havia mais cinco opções de acompanhamento. Cada prato ficou em R$ 20,90, preço que nós achamos justo. Para beber, fomos de suco natural de maracujá, mel e hortelã.


As impressões que tivemos da Casa Amora foram as melhores! O surubim estava macio e tinha um tempero suave. A quantidade de açafrão foi suficiente para deixá-lo mais corado, mas não atrapalhou em nada o sabor do peixe. As folhas do mix - alface, agrião e rúcula - estavam bem verdinhas e frescas. A outra salada, com pedaços grandes de tomate, era refrescante. Mesmo sabendo que são acompanhamentos simples de se fazer, sentimos que a Casa faz tudo com muito capricho e se preocupa com a qualidade dos ingredientes.

Vamos voltar?
Sim! A Casa Amora é uma ótima opção de almoço rápido e saudável na Savassi. Tem preços bons, atendimento diferenciado e a comida é uma delícia. Vale a pena acompanhar a página do restaurante no Facebook - lá são postadas as opções de carne de cada dia. Nos dias de semana, é bom chegar mais cedo para não pegar fila!


Casa Amora
Rua Paraíba, 941
Savassi

18 de setembro de 2014

Vinho sem frescura


O mundo dos vinhos é repleto de nomes emblemáticos, mas nenhum deles tem o prestígio do Romanée-Conti, que batiza a vinícola homônima e a 'appellation d'origine contrôlée' (AOC) mais reverenciada do mundo. Apenas para se ter uma ideia, em 2012, uma única garrafa da lendária safra de 1945 foi arrematada, em um leilão da Christie's, em Genebra, por US$ 123.919 - o equivalente a quase R$ 282,5 mil. Mais do que o interesse pelo seu conteúdo, que muito provavelmente não se encontra em condições potáveis, quem pagou esta verdadeira fortuna sabe que, agora, tem em mãos um objeto exclusivíssimo - afinal, foram produzidas apenas 600 garrafas desta safra.

A tradição dos 1,63 hectares – 16.300 metros quadrados ou pouco mais de um quarteirão e meio – da propriedade atual remonta ao século 16, quando monges da Abadia de Saint-Vivant receberam cinco quintas, em Vosne-Romanée e Flagey-Echézeaux. Uma delas foi vendida, em 1584, como ‘Les Clos de Cloux’, e só na metade do século 17, após a descoberta de ruínas romanas no local, foi rebatizada. Em 1760, ela se tornou posse do príncipe de Conti e, 24 anos depois, foi citada pela primeira vez em um leilão, como Romanée-Conti.

O produtor francês representa, como nenhum outro, o cuidado com todos os processos de produção de um vinho. Do plantio e cultivo das vinhas, da colheita seletiva e da produção esmeradíssima à distribuição, igualmente selecionada. Seu grande mérito é ter criado este conceito há mais de um século e, de lá para cá, seguir fiel à qualidade. Seu rendimento volumétrico, por exemplo, é quase a metade do estipulado pela AOC e trata-se do único domínio da Borgonha que só produz 'grands crus'.

O Romanée-Conti também se beneficia da natureza única de seu solo, que tem apenas 60 cm de profundidade. Abaixo dele, só há pedra calcária e argila. Isso significa uma capacidade única de drenagem e retenção da água. No final do século 19, o príncipe de Conti trouxe 800 cargas de carroça de marga para seu terreno, ou seja, suas videiras são cultivadas em uma terra tratada a pão de ló há muitos e muitos anos.

Segundo o enólogo britânico Clive Coates, "o vinho mais caro do mundo é encorpado e elegante, feito de tafetá e seda". No Brasil, ninguém deve se iludir achando que vai encontrar o rótulo por menos de R$ 10 mil e uma safra mais conceituada – não que exista alguma que não mereça reverência – não sai por menos de R$ 25 mil. Mas será que vale a pena pagar tão caro por um Romanée-Conti?

Minha resposta é simples: claro que não!

Por um décimo do preço de um Romanée-Conti é possível experimentar um produto muito semelhante. O Vosne-Romanée, do domínio Méo-Camuzet, expressa basicamente o mesmo terroir do primo mais famoso e custa entre R$ 300 e R$ 400. É um produtor da mesmíssima cidade, que tem uma área de cultivo e uma produção ainda menores. Em outras palavras, é um vinho ideal para quem entende do riscado e quer exclusividade, sem se importar em fazer número ao lado dos novos ricos.

11 de setembro de 2014

A Pão de Queijaria


Inaugurada no início do ano, A Pão de Queijaria é imperdível para quem é apaixonado por pães de queijo! Na pequena loja, localizada no coração da Savassi, quatro queijos diferentes são usados na preparação do salgado, um a cada dia da semana. Tem pão de queijo com queijo da Serra da Canastra, da Serra do Salitre, parmesão e gruyère. Às terças-feiras, dia da nossa visita, eles são feitos com gruyère e parmesão. São nove variedades de recheios com carne, vegetarianos e doces, além de algumas opções de cafés. Tudo na Pão de Queijaria é feito com capricho, desde o cardápio colorido e os joguinhos americanos com explicações sobre o café exclusivo da casa até a montagem dos pratos. O garçom que nos atendeu estava começando naquele dia e, apesar de ainda não ter muita segurança para dar indicações, teve a maior boa vontade para responder nossas perguntas.

O primeiro pedido foi um pão de queijo com frango, pesto mineiro, requeijão de barra e alface americana, acompanhado de polenta frita (R$ 15). Muito recheado, ele tinha a massa macia, compacta e, claro, com gosto de queijo de verdade. Por dentro, pedaços de frango macios, mas não muito temperados, estavam envolvidos por um creme de requeijão delicioso. Como o recheio tinha sabor mais suave, o gosto forte do parmesão se destacou muito. Para ficar ainda melhor, o salgado poderia ter assado um pouquinho menos, porque a parte de baixo, que já é mais durinha mesmo, parecia biscoito. Na hora de fazer o pedido, desconfiei da polenta frita e quase pedi uma salada como acompanhamento, mas ainda bem que resolvi dar uma chance! Os cubinhos de polenta estavam muito gostosos e combinaram super bem com o salgado.


O segundo pedido foi o sanduíche pernil do chovinista, recheado com suculentas lâminas de pernil, bacon, couve frita e queijo Minas, também com polenta (R$ 17). Dessa vez, o pão de queijo estava um pouco menos assado e mais recheado do que o anterior, então já começamos bem! As fatias de pernil estavam bem temperadas e tão macias que quase desmanchavam na boca. Por cima, uma fatia generosa de queijo Minas, bem suave, que serviu de base para os pedacinhos de bacon torrados. Para completar essa excelente combinação de sabores, couve cortada bem fininha e frita enfeitava o sanduíche. Sem dúvida, foi o melhor do dia.


Vamos voltar?
Com certeza! Além de ter um cardápio super criativo e ótimo atendimento, a Pão de Queijaria tem preços bons. À primeira vista, os pães de queijo podem parecer caros, mas um sanduíche é mais do que suficiente para quem não come muito. Estamos ansiosos para experimentar outros recheios salgados e os cafés da casa. A dica é ir durante a semana e chegar mais cedo, até umas 20h, para não correr o risco de não achar mesa. Ah, e eles vendem saquinhos com pão de queijo congelado!

A Pão de Queijaria
Rua Antônio de Albuquerque, 856
Savassi

6 de setembro de 2014

Gomide


O Gomide é um daqueles restaurantes que fazem questão de ser clássicos do ambiente à decoração. Assim como nos bistrôs franceses, suas mesas são montadas com vasinhos de flor, guardanapos de pano e taças de vinho. Apesar de prezar pela sofisticação, a casa peca pela pouca iluminação do salão que, se à noite pode ser sinônimo de charme, atrapalha durante o dia. As nossas fotos, que são feitas com celular, ficaram completamente escuras quando o sol começou a baixar.

Assim que escolhemos a nossa mesa, o garçom trouxe o couvert: uma cesta de pães com manteiga e patês (R$ 12 por pessoa). Tudo estava uma delícia. As torradas, fininhas, pareciam ter sido feitas há pouquíssimo tempo e estavam tão crocantes que dispensavam acompanhamento. As fatias de pão francês mais grossas, igualmente boas, combinavam muito bem com os patês. A vontade era de comer a cesta inteira, mas nos controlamos para pedir os pratos principais.

O primeiro foi um medalhão de filet com cogumelos frescos, batatas dauphnoise e molho bordelais (R$ 65). A carne veio ao ponto, como pedido, e estava super macia. Como os dois medalhões eram mais “altinhos”, estavam mal passados no cerne, mas nada que atrapalhasse. O molho à base de tinto e cebola era suave e saboroso, e os cogumelos shitake e shimeji, que têm gosto mais forte, davam equilíbrio ao conjunto. A maior surpresa foram as batatas dauphnoise, que conquistaram um lugar cativo em nossos corações. As finas camadas de batata eram alternadas com camadas de um queijo bem leve e cremoso e, para finalizar, uma casquinha crocante dava um toque especial. Ficamos impressionados em ver como um acompanhamento tão comum e fácil de fazer pode se transformar em algo maravilhoso, que quase conseguiu tirar o brilho dos medalhões. Esse é um prato que a gente indica sem medo de ser feliz!

O segundo pedido, infelizmente, decepcionou. O fettuccine ao funghi com steak de filet grelhado (R$ 62) era um prato muito farto, mas não foi tão bem executado. O molho de funghi tinha um sabor muito agradável e combinava com a massa, que estava al dente. Mas se sobrou quantidade, faltou delicadeza, principalmente no preparo do steak. A carne era uma peça grande, mas estava seca e dura. No fim das contas, ficou a impressão de que esse é um prato muito mais voltado para a saciedade do que para a experiência gastronômica - visual e sabor diferenciados.


De sobremesa, pedimos um crepe l'orange (R$ 18) para dividir. A apresentação do prato é linda, mas logo na primeira colherada ficamos um pouco decepcionados. A massa sem recheio boiava em uma calda de laranja, que era quente e tinha muito gosto de canela. O doce era, no mínimo, enjoativo. Mesmo para dividir com mais uma pessoa. A única coisa que salvou foi a bola de sorvete de creme, que conseguiu suavizar os sabores fortes da calda.

Vamos voltar?
Só em dias de promoção. O Gomide tem um ambiente bem decorado e ótimo atendimento, mas é caro. Os pratos estão na faixa de R$ 80 - o mais caro custa R$ 99 -, preço mais alto do que a média em outros restaurantes tão bons quanto ou melhores.

Gomide
Rua Tomás Gonzaga, 189
Lourdes