30 de agosto de 2014

Vinho sem frescura


A Bulgária nunca foi, exatamente, uma potência da viticultura, mas o país foi o que mais se beneficiou da abertura que se seguia à queda do Muro de Berlim. A modernização das adegas estatais e das que foram privatizadas permitiu melhorar a qualidade final de seus vinhos e, com boa relação custo/benefício, eles ganharam o mercado internacional – Inglaterra, Alemanha e Rússia são seus maiores “clientes”. Para além das castas tradicionais, como Cabernet Sauvignon e Merlot, que ocupam grandes áreas de cultivo, três uvas búlgaras têm destaque na sua produção: as tintas Gamza, famosa pelas notas de especiarias, e Melnik, uma espécie de “Syrah” da ex-Cortina de Ferro, além da branca Misket, que herda o toque floral do terroir do Vale das Rosas.

A boa notícia para quem quer experimentar um vinho produzido na Bulgária é que não é preciso gastar uma fortuna para isso e, com menos de R$ 50, já dá conhecer um ou outro rótulo. Aliás, eu desaconselho o leitor a pagar mais do que isso, afinal, os búlgaros produzem bebida de boa qualidade, mas seus volumes sempre foram muito grandes – rendimento médio de 50 hectolitros por hectare, contra 35 hl/ha de um ‘grand cru’ francês – e, das quatro classificações regionais, só as denominações D. G. O. e ‘controliran’ valem a pena.

De qualquer forma, nunca é demais lembrar que, de todos os países do extinto bloco comunista, a Bulgária é o que mais se esforça para incrementar a qualidade de seus vinhos, obviamente, atenta à demanda do mercado internacional. Há um consenso de que os produtores reinvestem 70% de seu lucro em novos equipamentos e até mesmo os barris de carvalho búlgaro vêm sendo substituídos por modelos franceses. De qualquer forma, o enriquecimento com açúcar (chaptalização) ainda é permitido.

Um detalhe interessante é que muitas vinhas do país ainda são estatais, mas investidores estrangeiros, notadamente dos Estados Unidos, vêm adquirindo as de maior potencial. É o caso da antiga Vinprom Russe, que foi comprada e transformada na Boyar Estate, maior produtor búlgaro atual, com um volume anual de mais de 65 milhões de garrafas. Seu Royal Reserve, um varietal Cabernet Sauvignon cuja produção não passa de 30 mil garrafas anuais, é envelhecido 36 meses em barris de carvalho norte-americano.

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