6 de agosto de 2014

Vinho sem frescura


Como o leitor já deve ter percebido, não faltam mitos no universo do vinho. Obviamente, a maioria deles serve apenas para manter-nos afastados de uma bebida que, ainda hoje, é vista como exclusividade de gente muito chique e metida – que dó. Para além da frescura, existem conceitos disseminados principalmente aos iniciantes – e repetidos por estes como uma prece – que distorcem a realidade, mas acabam amparados pela própria ingenuidade de quem aposta neste metiê para ascender socialmente.

Por exemplo: um desses mitos diz que quanto mais velho, melhor o vinho. Trata-se de uma mentira que o leitor pode desmascarar, facilmente. Basta abrir aquela garrafa que sua avó ganhou no casamento dela, em "1850", e guardou como um Romanée-Conti. Se fosse o próprio, existiria uma mínima chance, de 5%, de ele ainda estar potável. Mas como já era porcaria, na época, com certeza virou vinagre. Em outras palavras, envelheceu e estragou.

Da mesma forma, ainda há quem acredite que vinho branco só deve acompanhar peixes e vinho tinto, carnes vermelhas: outra bobagem. Apesar de a maioria dos sommeliers pregarem este mito, como um dogma, a verdade é que não só o método de preparo do prato, como seus acompanhamentos, podem colocar essa máxima em xeque. Isso sem falar que muitos vinhos brancos são produzidos a partir de uvas tintas – o champagne, por exemplo, usa castas Pinot Noir e Pinot Meunier.

Mas também há maneirismos que, apesar de não suscitarem maior crédito, têm sua razão de ser. O uso de taças adequadas é um exemplo disso. Seu material e sua forma não alteram as propriedades da bebida, mas ajudam a liberar aromas e a enfatizar notas, além de permitirem uma avaliação mais precisa da cor do vinho. E, tendo em vista o custo de um modelo de semicristal (um jogo Bohemia, com seis unidades de 450 ml, pode ser encontrado por R$ 120), dá para investir sem culpa.

Por fim, muita gente afirma que só os vinhos acima da faixa de R$ 50 são bons, o que é controverso. Na verdade, a maioria esmagadora dos rótulos chilenos vendidos no Brasil, por até R$ 120, é lixo, mas já tomei vinhos italianos honestos, como os Castellani, que custam menos de R$ 40. Portanto, não é o preço, mas a procedência que garante a qualidade do produto. Independentemente de valor, preste atenção nisso! 

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