27 de julho de 2014

68 La Pizzeria


A 68 La Pizzeria lançou um novo cardápio, assinado pela chef Gra Garcia, no final de março, e fomos conferir a novidade em um almoço de domingo. Inaugurado em 2006, o restaurante mantém o mesmo prestígio há quase uma década, bem como a mesma orientação napolitana para suas redondas. Os novos pratos trazem clássicos da culinária italiana e da gastronomia mediterrânea, sem invencionices. Uma pena eles não estarem no site, que exibe entradas, saladas e todos os sabores de pizza da casa, além de bebidas e drinks.

Como tínhamos um objetivo em pauta, fomos diretos a ele. Escolhemos o mais informal dos cinco ambientes da 68, o salão interno onde estava instalado um telão para os jogos da Copa do Mundo, e iniciamos os trabalhos com uns chopinhos Heineken (R$ 7,50) e um suco de laranja (R$ 8), que abriram caminho para um bife ancho com tagliatele ao molho de ervas (R$ 49) e um farfalle com camarão ao molho alfredo (R$ 39). A dupla de garçons que nos atendeu foi cordialíssima e, depois de uma espera razoável, de uns vinte minutos, o pedido chegou à mesa:

A carne veio ao ponto, como pedido, e bastante suculenta. O tagliatele ao molho de ervas estava 'al dente', muito gostoso - não é, exatamente, uma combinação complicada, mas o prato foi bem executado, e isso é que conta. O mesmo não dá para dizer do farfalle, que tinha apresentação tão discreta quanto seu gosto - aqui, não faltou camarão, mas sabor. E o molho, além de vir em pouca quantidade, tinha uma consistência diferente da que esperávamos. Estava ralo e com muito gosto de manteiga e queijo. Parece que o pessoal da cozinha se esqueceu de colocar creme de leite. Como tínhamos pedido meia-garrafa de vinho tinto, um Sophenia Malbec (R$ 56), o pouco de expressão do prato se esvaiu. Parcialmente decepcionados, pedimos a sobremesa.


Para dividir, escolhemos mini crepes recheadas com creme de chocolate meio amargo e doce de leite argentino, acompanhadas por uma bola de sorvete de creme Alessa com amêndoas caramelizadas (R$ 21). A surpresa negativa foi a ausência do doce de leite - sem aviso, inclusive. Para coroar o almoço, a família que estava sentada na mesa ao lado armou um verdadeiro barraco quando viu a nossa sobremesa chegar - parece que o garçom tinha dito a eles que os crepes tinham acabado. Destrataram o garçom e o gerente. Antes que sobrasse para nós, pagamos a conta e fomos embora.

Vamos voltar?
Sim, mas só para comer as pizzas, que são realmente boas. Apesar de a casa ter um ambiente agradabilíssimo e excelente atendimento, não dá para chamar a cozinha do 68 La Pizzeria de alta gastronomia.


68 La Pizzeria
Rua Felipe dos Santos, 68
Lourdes

21 de julho de 2014

Restaurante do Porto


Depois da nossa última visita, o Restaurante do Porto entrou para a nossa lista de favoritos. Funcionando há mais de 40 anos e com duas unidades em BH, uma em Lourdes e outra na Cidade Nova, a casa, uma das mais antigas especializadas na culinária portuguesa, oferece dez variedades de bacalhoadas, além de moquecas e opções com peixe, carne e frango. Sem frescura e sofisticação, o restaurante é a escolha ideal para famílias e casais que querem comer bem.

Quando chegamos, por volta das 14h, todas as mesas da varanda estavam ocupadas. O salão interno é amplo e bem decorado com quadros e objetos típicos de Portugal. Assim que entregou o cardápio, o garçom já nos ofereceu a tradicional porção de bolinhos de bacalhau da casa, que aceitamos sem pensar duas vezes. Não demorou muito para os nossos bolinhos chegarem, e é claro que eles estavam deliciosos! Crocantes por fora, macios por dentro e com muito bacalhau na massa - a melhor entrada de todas. A porção vem com dez unidades e custa R$ 28.


O prato que escolhemos para dividir foi a bacalhoada com arroz de Braga (R$ 95,70) para uma pessoa, que vem com lombo de bacalhau grelhado no azeite, arroz temperado com bacalhau desfiado, brócolis, tomate, cebola, ovo cozido e batatas coradas. Quando nosso pedido chegou, ficamos assustados com o tamanho da posta de bacalhau, com a quantidade de comida e com a habilidade do garçom de nos servir usando duas colheres.


O lombo de bacalhau, que devia ter uns 300g, chegou envolto por uma casquinha bem crocante. Por dentro, estava branquinho, super macio e tinha um sabor maravilhoso. Nem salgado nem muito sem sal, nos conquistou logo na primeira garfada. O arroz também estava ótimo e bem temperado, mas o bacalhau desfiado era pior do que o lombo. As batatas cozidas, o ovo, as azeitonas pretas e as duas rodelas de tomate - só duas - completaram a perfeição que é esse prato. Ah, e o azeite que servem na casa é o português Mondegão, que caiu super bem tanto com os bolinhos quanto com a bacalhoada. De acordo com o garçom que nos atendeu, o prato para uma pessoa serve bem duas. Na nossa opinião, até quatro pessoas comeriam aquela quantidade.


De tempos em tempos, um garçom anda pelo salão empurrando um carrinho de doces, com opções como quindim, figo, doce de leite e Pastel de Belém - que foi o que nós escolhemos. O Pastel de Belém do Restaurante do Porto é tão parecido com o do Doces de Portugal, que nós desconfiamos que seja o mesmo. Como sempre, ele estava delicioso! A massa folheada estava bem assada, e o recheio cremoso e quentinho. É tão bom que dá vontade de comer mais!

Vamos voltar?
Sim! O Restaurante do Porto é tradicional sem ser antiquado, tem um ambiente ótimo e atendimento cordial. Os preços não são baixos, mas os pratos são muito fartos. E foi lá que comemos o melhor bacalhau das nossas vidas.

Restaurante do Porto
Rua Espírito Santo, 1507
Lourdes

15 de julho de 2014

Ayres! Empanadas Argentinas


Nossa relação com o Ayres foi de amor à segunda vista. Sempre gostei das empanadas argentinas servidas no Pizza Sur, mas achava que eles tinham poucas opções de sabores. Quando a casa especializada no salgado abriu, há mais de um ano, logo quisemos conhecê-la. Não tivemos muita sorte na nossa primeira visita, principalmente com as empanadas salgadas, e saímos de lá um pouco decepcionados. Algum tempo depois, resolvemos dar uma segunda chance ao Ayres, e a experiência valeu tanto a pena que combinamos de voltar outro dia para escrever para o blog!

A casa é bem pequena e aconchegante, mesmo com a decoração simples. No cardápio há sete opções de empanadas salgadas fechadas, doze abertas e três doces, além de risotos e outras sobremesas. Quando fizemos nossos pedidos, os funcionários, sempre educados e atenciosos, disseram que as empanadas são montadas e assadas na hora, e que poderiam demorar um pouco para ficar prontas.

Nossas escolhas foram frango com catupiry (R$ 6,50), carne seca com catupiry (R$ 6,50), caprese (R$ 5,80) e carne picante (R$ 5,80). Todas estavam tão gostosas que foi difícil decidir qual era a melhor! Elas chegaram quentinhas - saindo até fumaça -, bem assadas, crocantes e muito recheadas. A de frango com catupiry era cremosa, tinha catupiry de verdade e cubinhos de frango macios e bem temperados. A de carne seca era a maior de todas - veio com tanta carne que deu até para a gente dividir, mas estava tão leve que não chegou a ser enjoativa. A de carne picante também estava boa, mas perdeu para a caprese, que tinha muçarela derretida, tomate e manjericão.


Para encerrar, pedimos duas empanadas doces para dividir: uma de chocolate e uma de doce de leite (R$ 5,50 cada). Se você quiser, é possível acrescentar uma bola de sorvete Alessa (R$ 8), que nós dispensamos dessa vez, mas vamos experimentar da próxima. Sempre que vamos ao Ayres eu como metade de cada sabor e não consigo decidir qual é a mais gostosa. Dessa última vez, eu preferi a de chocolate, e o Homero gostou mais da de doce de leite. Elas também chegaram à mesa quentinhas e com o recheio tão cremoso que até escorria no prato.


Vamos voltar?
Com certeza! Para quem gosta de empanadas como nós, o Ayres faz as melhores de BH! Tem muito mais variedades do que o Pizza Sur e, como o movimento não é tão grande, há muito mais capricho na hora de montá-las.

Ayres! Empanadas Argentinas
Rua Flórida, 235
Sion

10 de julho de 2014

Haus


O Haus está em clima de Copa do Mundo! Fomos assistir a um dos jogos lá e, no dia, a casa estava enfeitada com balões e bandeirinhas com as cores da Alemanha. Aberto há quase 50 anos, o restaurante alemão mais antigo da cidade passou por uma reforma recentemente e ficou ainda mais bonito. Além das mudanças na decoração, agora o espaço abriga uma livraria e uma área reservada para aulas e degustação. No cardápio de bebidas há cervejas do mundo inteiro - são mais de 200 rótulos, todos separados por país. Assim que chegamos, pedimos as nossas primeiras: um chope Guiness e uma Franziskaner Weissbier, que eu amo!

O cardápio do Haus tem muitas opções de petiscos e pratos alemães, cada uma mais apetitosa que a outra. A entrada que mais nos agradou foi um combinado de salsichões, que vinha com uma salsicha de vitela, uma com páprica, uma defumada e uma branca, além das porções de salada de batatas e chucrute de repolho roxo. Nós não gostamos muito de repolho, e a nossa primeira ideia foi substituí-lo por batatas fritas. Perguntamos ao garçom, um senhor muito simpático, se poderíamos fazer a troca, mas infelizmente não era possível. Ele disse que poderia dobrar a quantidade de salada, mas sugeriu que a gente provasse o tal repolho, que é uma comida típica alemã. Depois de muita conversa, acabamos aceitando o desafio, mas ainda ficamos um pouco desconfiados.


O prato chegou bem montado e todas as salsichas estavam igualmente boas, macias por dentro e mais consistentes por fora, e ficaram ainda melhores com as mostardas clara e escura. O chucrute roxo é lindo e realmente bem diferente - adocicado, nada azedo e com uma textura cremosa. É melhor do que imaginamos, mas não vamos querer comer de novo tão cedo. Vale mais a pena pedir a deliciosa salada de batata, feita com creme de leite, maionese e cheiro verde.

De sobremesa, pedimos um petit gateau e uma fatia de torta alemã. O bolinho de chocolate estava macio, mas um pouco frio, e o recheio, nem tão doce nem tão amargo, era ótimo, e combinou perfeitamente com o sorvete de creme. Não foi o melhor petit gateau da minha vida, mas não decepcionou. A torta alemã era mais consistente e, apesar do sabor marcante de biscoito de maisena, estava uma delícia! Leve, pouco amanteigada e com chocolate na medida.



Vamos voltar?
Sim! O ambiente é ótimo, os petiscos são bem diferentes, a variedade de cervejas é enorme e o atendimento é muito cordial. Algumas vezes ficamos meio perdidos, porque todos os garçons atendem todas as mesas, mas nossos pedidos foram anotados corretamente. Da próxima vez, não vamos deixar de provar o apfelstrudel com chantilly.

Haus
Rua Juiz de Fora, 1257
Barro Preto

4 de julho de 2014

Vinho sem frescura


A invasão dos Liebfraumilch, no início dos anos 90, rendeu uma imagem tão negativa ao vinho alemão que, até hoje, muita gente torce o nariz só de ver uma garrafa renana na prateleira. Razões para isso não faltam, afinal, a viticultura germânica - que nasceu pelas mãos dos romanos nos vales dos rios Mosela e Reno - atingiu seu apogeu no século 12, quando os cirtercienses fundaram o Mosteiro de Eberbach e a região do Rheingau se tornou o principal centro vinícola de toda a Europa.

Apenas para se ter uma ideia, no século 16, os alemães tinham uma área cultivada com vinhas três vezes maior que a atual, e o consumo per capita anual era quase cinco vezes superior ao de hoje. A verdade é que, depois de ser devastada por pragas e duas Guerras Mundiais, a viticultura alemã retomou seu caminho, nos anos 60, fazendo o fino do que não presta.

A mecanização e a criação de castas de uvas de maior rendimento proporcionaram uma explosão da produção vinícola na Alemanha, que chegou a alcançar um volume de mais de 10 milhões de hectolitros. Mas, sem uma classificação semelhante à francesa, a coisa degringolou e, só no final da década de 90, esforços individuais devolveram ao país sua reputação de produtor de vinhos de qualidade.

Hoje, há uma divisão em quatro categorias: Tafelwein (vinho de mesa), Landwein (vinho regional), Qualitätswein Bestimmer Anbaugebeite (Q. b. A.), que corresponde às indicações geográficas italiana e francesa, e Qualiätsweim mit Prädikat (Q. m. P.), correspondente às distinções Reserva e Gran Reserva. Os vinhos que recebem a chancela Q. m. P. ainda trazem as seguintes classificações: Kabinett (seleção especial), Spätlese (referente à última colheita), Auslese (colheita selecionada), Beernauslese (colheita selecionada de videiras específicas) e Trockenbeeranauslese (colheita selecionada de uvas secas, para produção de vinhos doces).

A coisa não só parece como é confusa, e os produtores vivem em pé de guerra com os legisladores, porque nem eles entendem direito como essa metodologia deve ser aplicada. O importante, para não comprar gato por lebre, é saber ler o rótulo de um vinho alemão, e isso não é tão complicado: no alto, vem a marca do produtor; abaixo, o ano da safra, a uva (a Riesling responde por mais de 20% da produção), a classificação Q. m. P. (no caso, Spältlese), a origem (geográfica) e por aí vai.

O mais importante é evitar, a todo custo, vinhos que não tenham a classificação Q. m. P. Duas boas dicas são o Franz Künstler 2008 Riesling Kabinett Trocken Hochheimer Hölle (R$ 140), que harmoniza maravilhosamente com lagosta e ostras, e o Dr. Heger Vitus 2007 Spätburgunder (R$ 165), um varietal Pinot Noir que passa por 12 meses em barricas de carvalho francês - fresco e de muita personalidade. Não são opções tão em conta, mas vale a pena experimentar!

1 de julho de 2014

Ah! Bon Lourdes


Das quatro unidades do Ah! Bon em Belo Horizonte, a principal e a primeira que foi inaugurada é a de Lourdes - as outras três são cafeterias e estão em shoppings. Localizado na rua Fernandes Tourinho, o Ah! Bon Restaurante tem dois ambientes: o salão interno, lindo, bem decorado, grande e espaçoso; e uma varanda na rua, bem na entrada, aconchegante e mais informal, onde escolhemos ficar. Além dos pratos individuais, que combinam ingredientes da culinária italiana e da cozinha contemporânea, o restaurante tem boas opções de lanche, como sanduíches, salgados, doces e cafés.

Nosso primeiro pedido foi uma lasanha aberta com ricota e queijo de cabra (R$ 32), montada com uma camada de massa, recheio e um segundo andar de massa. Em cima, mais queijo ralado. Para o meu gosto, tinha tanto queijo para pouca massa que o prato como um todo ficou um pouco forte e enjoativo. Se esse tivesse sido o meu pedido, eu não conseguiria comer tudo. O Homero, que foi quem pediu, adorou. Ele concordou que tinha muito recheio, mas achou a massa fininha e deliciosa.



O segundo pedido foi um gnocchi de espinafre ao pomodoro e basílico (R$ 34). Quando peguei o cardápio e vi que não tinha a opção tradicional, fiquei um pouco desconfiada, mas resolvi experimentar. Assim que meu prato chegou, logo me conquistou pela aparência. Na primeira garfada, me surpreendeu pelo sabor. Não acredito que demorei tanto tempo para provar um gnocchi de espinafre! A massa estava leve, macia, temperada na medida certa e com pedacinhos de tomate no molho, do jeito que eu gosto. Estava tudo tão bom que eu nem quis colocar queijo ralado para não correr o risco de atrapalhar. Com certeza é um prato que vale a pena repetir!

 

De sobremesa, pedimos um sublime (R$ 16,40) para dividir, e a nossa escolha foi ótima! A torta é feita com chocolate belga 70% cacau, ou seja, nem tão amarga nem muito doce. Olhando de primeira, ela parece pequena para duas pessoas, mas é ideal para quem quer só satisfazer a gula.


Vamos voltar?
Sim! O Ah! Bon tem várias opções de carnes, peixes, massas e saladas para todos os gostos. As massas têm preços bons - custam em média R$ 35 - e nos agradaram bastante.

Ah! Bon
Rua Fernandes Tourinho, 801

Lourdes