11 de junho de 2014

Vinho sem frescura




Hoje em dia, está na moda entender de vinho. O sujeito senta na rodinha de amigos e, enquanto os ogros falam sobre futebol, ele amacia a voz para falar de castas e safras. Cai na conversa de tudo quanto é vendedor e paga caro por legítimas porcarias, a grande maioria vinda do Chile, Nova Zelândia e África do Sul. O pior de tudo é que esse tipo de sujeito, geralmente, defende as grandes lojas de bebidas e os supermercados com o fanatismo de um xiita. É um coitado, que investe mal seu suado dinheirinho e serve - quando serve - o fino da fossa, nos seus jantares, como se fosse o mais renomado château. Para evitar ressaca e dor de cabeça, fiz uma lista muito legal e ninguém vai pagar mais de R$ 120 para tomar vinhos muito acima da média. São os seguintes:

- Castellani Masseria del Fauno Negroamaro IGT 2012 (R$ 36). O produtor tem mais de 20 expressões, provenientes de seus 240 hectares de vinhas em cinco regiões da Itália. Exporta para 42 países e o rótulo em questão corresponde à sua linha de entrada (varietal). Entrega, indubitavelmente, muito mais do que seu preço sugere.

- Adolfo Lona Brut Champenoise (R$ 54,50). É um espumante que gosto de beber geladíssimo, em substituição à cerveja (duas garrafas servem bem um casal, durante uma tarde inteira). Feito pelo método tradicional, tem em sua personalidade as convicções ideológicas do próprio Adolfo, um sujeito excepcional, apesar de ser argentino - brincadeirinha.

- Matarromera Crianza DO 2005 (R$ 120, na foto). A Matarromera vem arrancando elogios das revistas especializadas e o Crianza é um de seus vinhos de entrada. Sua produção não tem nada de modesta: são 700 mil garrafas anuais, mas sua qualidade não deixa a desejar, compara a rótulos de volumes bem menores. Feito exclusivamente com uvas Tempranillo (Tinta Del País), amadurece durante 12 meses em barrica e tem um aroma de baunilha muito interessante.

- Château du Trignon Côtes-du-Rhône AOC 2007 (R$ 56). Combina uvas Grenache (75%), Syrah (15%) e Mourvedre (10%), todas selecionadas em colheita manual. Tem uma cor rosada muito bonita e um sabor suave e persistente, com notas de morango. Pessoalmente, sou fã deste vinho que bebo há alguns anos e sempre com a mesmíssima satisfação.

- Santa Carolina Barrica Selection Petit Verdot 2007 (R$ 77,90). Outro gigante da "enoindústria", a Santa Carolina faz um vinho muito aromático e de toques florais. Esta linha corresponde à terceira mais prestigiada do produtor, com 18 meses de envelhecimento em barrica. Não é um varietal puro, com o rótulo sugere, já que além da uva Petit Verdort (85%), também leva a Syrah (15%) em sua composição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário