24 de junho de 2014

Vinho sem frescura


A viticultura, na Itália, é mais velha do que andar para frente, e recentes descobertas arqueológicas comprovam que o cultivo da videira, pelos etruscos, data do século 8 a.C. - portanto, 200 anos antes de os romanos introduzirem a atividade na França, em Massália. Até a erupção do Vesúvio, em 79 d.C., Pompéia era o grande centro de distribuição do vinho para toda a Europa e, curiosamente, foi a destruição provocada pelo vulcão que determinou uma regionalização logística, por todo o Império Romano, para escoar a produção da bebida.

Um destes centros regionais ficava na atual fronteira entre Itália, França e Suíça, o Vale D' Aosta. Foram os legionários romanos que controlavam a passagem entre o cantão suíço de Valais e os Alpes franceses, no forte de Augusta Praetoria, que introduziram a viticultura nos terraços mais altos da Europa. Hoje, em altitudes de até 1.300 metros, os produtores ainda se beneficiam de condições climáticas que combinam invernos rigorosos com verões quentes e secos.

É neste cenário que se "escondem" verdadeiros tesouros, como os Blanc de Morgex e La Salle, os Torrette, Donnaz e Enfer d' Aiver, além do Chambave - o bilinguismo é uma herança do século 9, quando a região pertencia ao Ducado da Saboia. Ao todo, são 22 castas de uva que dão origem a 27 vinhos diferentes, mas só pouco mais de 10% recebe a denominação de origem (D. O. C.) Valle d' Aosta - ou Vallée d' Aoste, em francês.

As uvas nativas, como Petite Arvine e Blanc de Valdigne (brancas), Freisa, Neyret, Petit Rouge, Gamay e Vien de Nus (tintas), além da Nebbiolo, localmente chamada Picotendro, produzem vinhos rústicos, frutados e ácidos, que têm menos estrutura que os rótulos do Piemonte, mas revelam classe e elegância, a partir de três anos de envelhecimento em garrafa.

Para desvendar este segredo, o apaixonado por vinhos terá que visitar os restaurantes e adegas das cidades do norte da Itália. É que, pelo menos por enquanto, nenhum importador brasileiro inclui rótulos desta denominação em seu portfólio. Então, "buon viaggio"!

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