16 de maio de 2014

Vinho sem frescura


Depois de espantarem a crise e darem a volta por cima, os norte-americanos agora são os maiores bebedores de vinho do mundo. Enquanto franceses, italianos e até mesmo os chineses, que descobriram as delícias do consumo há pouco tempo, vêm "segurando o tchan", foram vendidas nada menos que 329 milhões de caixas da mais nobre das bebidas nos Estados Unidos, no ano passado - só agora temos acesso ao balanço do setor, em nível mundial, em 2013. Este volume representa um crescimento de 1%, em relação a 2012, e de 18%, em relação a 2005, segundo dados do Impact Databank.

Mais do que o arrocho imposto pela crise internacional nas despesas pessoais de qualquer europeu, esse fenômeno mostra que os norte-americanos, finalmente, descobriram o vinho - e, pelo que os números sugerem, se entusiasmaram. Até mesmo o mercado chinês, que há dez anos está no foco dos grandes produtores, contabilizou sua primeira perda no ano passado, quando as vendas caíram 6% em relação a 2012. Lá, ao contrário daqui, há um ceticismo em relação aos preços superfaturados e atém mesmo o presidente Xi Jingping palpitou sobre o tema.

Depois de as comercializações crescerem 38%, entre 2005 e 2012, as vendas caíram 6% só no ano passado, mostrando que mesmo com os olhos fechados os chineses conseguem enxergar o abuso da supervalorização.

Na França, a demanda caiu nada menos que 14%, nos últimos dez anos, e na Itália o recuo chega a 21%, no mesmo período. Por aqui, não é preciso ser matemático para perceber que os preços subiram pelo menos 50%, nas prateleiras, mas a mentalidade taquanha ainda estimula quem vê o vento soprando a favor a pagar valores extorsivos por um rótulo de prestígio. O problema é que a inteligência vem, a passo de tartaruga, atingindo até o mais esnobe dos brasileiros e o setor já refaz suas contas, para não voltar à época em que os pavorosos "Liebfraunmilch" alemães reinavam absolutos.

É bom ser realista, agora, e baixar a bola. Antes que ela esvazie...

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