26 de dezembro de 2014

Lucy Sanduicheria

Foto: Manteiga Derretida

Na Lucy Sanduicheria, a decoração lembra a de uma casinha do interior. As oito mesas de madeira, as cadeiras amarelas, os pratinhos coloridos na parede e os vasinhos de flor, tudo isso contribui para deixar o ambiente aconchegante. No cardápio há 16 opções de sanduíches, algumas delas bem diferentes, além de saladas e sobremesas - e todas têm nomes de clássicos do cinema. Antes de conhecer a casa, vimos na Internet que os garçons entregam aos clientes cartilhas com as sinopses dos filmes que dão nome aos pratos escolhidos. Adoramos essa ideia, mas no dia da nossa visita não recebemos as tais filipetas enquanto aguardávamos os nossos lanches.

Nossa primeira escolha foi um ‘E sua mãe também’: tortilha recheada com guacamole e camarões, acompanhada de nachos. Levemente apimentado, esse sanduíche certamente irá agradar quem gosta de comida mexicana. O recheio cremoso de guacamole com camarões era farto e foi muito bem preparado, e o fruto do mar, apesar de pequeno, passou no nosso teste de qualidade. Ao contrário do que imaginamos, as tortilhas foram servidas quentes, e ficaram ainda mais gostosas do que estávamos esperando. Só achamos que faltou um molhinho à parte para acompanhar os nachos.


O segundo pedido foi um ‘Pulp Fiction’: pão com gergelim, hambúrguer de filé, alface americana, tomate, cheddar e bacon (R$ 29,90). O sanduíche chegou à mesa bem montado, quentinho e nós ficamos bastante animados com a quantidade de batatas fritas que o acompanhavam. O pão, apesar de parecer um pouquinho queimado, estava fofinho, e o hambúrguer artesanal estava macio e saboroso, mas não parecia filé. O gosto nos lembrou mais o de bolinhos de carne caseiros. As duas fatias de cheddar estavam bem derretidas e as tiras de bacon estavam crocantes, mas sentimos falta de um diferencial. Um molho, um ingrediente, um sabor particular que fugisse do comum, nos conquistasse e nos fizesse querer comê-lo de novo.


Vamos voltar?
Provavelmente sim, para experimentar as combinações exclusivas da casa, como o ‘La Mortadella’ e o ‘Julie e Júlia’, e alguma das sobremesas.

Lucy Sanduicheria
Avenida Uruguai, 746
Sion

15 de dezembro de 2014

Yogo Fruz


Na semana passada, fomos conhecer a Yogo Fruz, a nova loja de frozen yogurt de Belo Horizonte. Com franquias em Viçosa e São Lourenço, a rede oferece produtos 100% à base de iogurte, sem adição de leite ou água, e 0% de gordura. Aberta há três meses ao lado da Feira dos Produtores, no bairro Cidade Nova, a marca produz dez sabores de iogurte e oferece, diariamente, quatro opções.

No dia da nossa visita, excepcionalmente, as variedades eram natural, morango e mexerica. Experimentamos um pouquinho de cada uma antes de fazermos nosso pedido e escolhermos os toppings. Depois das primeiras colheradas, percebemos a diferença entre esse frozen e o de outras casas do segmento. Mesmo gelado, o iogurte não ‘congelava a garganta’ a ponto de termos que parar de comer e esperar o incômodo passar. Dos três sabores do dia, o que mais agradou foi o de mexerica. Nunca tínhamos provado e achamos que a mistura doce-cítrico da fruta é tão boa que o iogurte nem precisa de acompanhamento.


Na hora de montar o nosso potinho (R$ 6, o pequeno, R$ 8, o médio, e R$ 10, o grande), escolhemos o iogurte natural, que combina melhor com frutas. Somos fãs de frozen yogurt desde quando as primeiras lojas abriram em BH, e sempre pedimos o sabor natural com três frutas. Nosso pensamento é: se é pra tomar um iogurte sem açúcar e gordura, vamos ser saudáveis de verdade! Nós pedimos abacaxi, morango e kiwi (mais R$ 3). Gostamos muito do sabor e da textura firme do iogurte, que demora mais tempo para derreter. As frutas foram servidas em quantidades generosas e estavam bem fresquinhas.


Na Yogo Fruz há um balcão com cerca de 30 toppings, incluindo cereais, grãos, doces e caldas. O Flávio, um dos proprietários da rede, nos contou que existem dois grupos de clientes: os saudáveis, que comem o iogurte puro ou com fruta, e os que comem com chocolate e calda. Para quem quiser variar, o cardápio conta ainda com petit gateau e brownie – acompanhados de frozen yogurt - e cinco variedades de smoothies.

Vamos voltar?
Sim! Principalmente nos dias mais quentes, a Yogo Fruz é uma opção gostosa e saudável para quem estiver passando pela região. Estamos curiosos para experimentar outros sabores de iogurte, como blueberry e lichia!

Yogo Fruz
Rua Nelson Soares de Faria, 447
Cidade Nova

5 de dezembro de 2014

Experimente o Vinho do Mês: dezembro


A promoção 'Experimente o Vinho do Mês' entra em seu segundo mês com o time reforçado. Além de ampliarmos a parceria para 15 restaurantes – veja a lista completa ao final -, preparamos uma novidade para o final de ano. Selecionamos não um, mas três rótulos de um dos mais reverenciados produtores espanhóis do momento para apresentar aos belo-horizontinos.

Depois de o Trepiò, o Benaco Bresciano (IGT) da Civielle que ficou em cartaz em novembro, surpreender e provar que dá para beber vinho de ótima qualidade na mesa dos restaurantes por justos R$ 50, chegou a vez dos Campo Castillo. Entre dezembro e janeiro, serão três opções: Viura (branco), Rosado (rosé) e Tinto.

O vinho recebe a denominação de origem (D. O.) Campo de Borja, onde a tradição do cultivo de vinhas remonta ao Reino de Aragão do ano de 1145. Hoje, videiras da uva Garnacha ("Grenache", em francês), com idades entre 30 e 50 anos, cobrem quase 5.000 hectares. A Bodegas Borsao possui 1.500 ha de área cultivada, onde as Montanhas 'El Mocayo' protegem campos entre 400 e 700 metros de altitude dos ventos secos do 'Cierzo'.

A casta Macabeo é usada na produção do Campo Castillo Viura, que é o nome dado regionalmente para este tipo de uva. Já a Garnacha é usada tanto no Rosado quanto no Tinto.


O que é o 'Experimente o Vinho do Mês'?
 
É uma ação que coloca na mesa dos belo-horizontinos, todos os meses, um rótulo de prestígio da Europa ou do Novo Mundo por R$ 50. Durante 30 dias, quem for a qualquer um dos 15 restaurantes participantes terá, além das opções das cartas de cada casa, um vinho especialmente selecionado: simples assim, sem passaporte ou cartão de desconto. Mais do que uma indicação de qualidade, a ação tem como objetivo estimular o consumo através de uma parceria inédita entre importadores e restaurantes, que permite uma redução de até 55% no preço de cada rótulo.

Os restaurantes participantes da promoção combinam o melhor da cozinha internacional e da gastronomia autoral, em endereços nos mais prestigiados e tradicionais bairros de Belo Horizonte. Confira nosso time: Birosca S2, Don Pasquale, El Toro, Ephigênia Bistrô, Est! Est!! Est!!!, Glouton, Nonna Carmela, Oak, Osteria Degli Angeli, Patuscada, Perfetta Pizzeria, Saatore, Santa Pizza, Trindade e Villa Roberti.

27 de novembro de 2014

Deli Handmade


Ainda não acredito como nós demoramos tanto para conhecer o Deli Handmade, uma das hamburguerias mais simpáticas da cidade! Nos últimos meses, tivemos várias indicações de amigos sobre o local e ouvimos maravilhas sobre os sanduíches de lá. Tentamos conhecer a casa em outras duas oportunidades, mas chegamos mais tarde e já tinha fila de espera na porta. A dica para conseguir uma mesa lá dentro é chegar cedo, antes das 19h.

O Deli funciona em um pequeno espaço na rua Antônio Aleixo, em Lourdes. A maioria das mesas fica na calçada, mas vale a pena ficar na parte interna, que tem música ambiente, luz baixa e uma decoração fofa. Ao longo do pequeno corredor, há quatro mesas com sofás, o bar e alguns banquinhos. Em frente às mesas, a parede de madeira é enfeitada com quadros e placas temáticos. Mesmo com a casa cheia, o atendimento foi bastante eficiente. Os dois garçons que nos atenderam foram atenciosos, deram boas sugestões e, sempre que passavam perto da nossa mesa, perguntavam se estava tudo certo.

O cardápio é bem completo e tem ótimas opções de petiscos, saladas e sanduíches. Como já sabíamos que os hambúrgueres eram grandes, decidimos pular a entrada e gastamos um tempinho a mais escolhendo as combinações que mais nos agradavam. Pedimos os dois sanduíches para dividir e com batatas fritas artesanais - a outra opção de acompanhamento são os chips de batata doce. Da próxima vez, vamos experimentar!


O primeiro e melhor da noite foi o J Fat Boy, feito com pão australiano, blend de picanha 200g, creme de cheddar ao Jack Daniel's, bacon e chutney de cebola (R$ 30,90). O que eu mais gosto no pão australiano é o sabor levemente adocicado, aquele gostinho de mel lá no fundo, combinado com a textura tão macia que quase esfarela na boca. Para a nossa alegria, o pão do Deli estava exatamente assim! O generoso hambúrguer de picanha, coberto por uma boa quantidade de um creme de cheddar consistente, veio ao ponto e estava macio e saboroso. Para completar, o chutney de cebola preparado na casa harmonizou bem com a carne e, por mais que fosse mais um ingrediente doce, não deixou o conjunto enjoativo.


O outro pedido foi o Goat Farmer (R$ 32,90), uma das novidades do cardápio lançadas em setembro. O sanduíche é montado no pão de hambúrguer e leva blend de picanha 200g, queijo de cabra, relish de tomate com semente de mostarda e duas tiras de bacon super crocantes. Sem dúvida, os sabores aqui são muito mais suaves do que os do J Fat Boy, e talvez esse tenha sido o motivo de o Goat não ter nos agradado tanto. Não que a combinação aqui não seja boa, mas ela realmente perde um pouco da graça quando comparada à explosão de sabores do outro sanduíche. As fritas, macias por dentro e crocantes por fora, são suficientes para uma pessoa. Se você pedir só um sanduíche para dividir, talvez valha a pena pedir uma porção extra.


Antes de pedir a sobremesa, já estávamos tão satisfeitos que pensamos em deixar para a próxima vez. Mas a Mari, do Passaporte Pronto?, falou tão bem do ‘bolinho que parece um petit gateau, com muita calda e um picolé’ que não conseguimos resistir! Pedimos o famoso Trop bon para dividir: o fondan de chocolate meio amargo, crocante de amêndoas, calda fudge e picolé de frutas vermelhas (R$ 28,90) é delicioso! Além da apresentação maravilhosa, com muita calda escorrendo do potinho e o picolé afundado no bolinho, achamos tudo muito gostoso. O cítrico do picolé quebrou um pouco o doce do chocolate, e as amêndoas, que também serviam de decoração, deram um gostinho especial. Imperdível!

Vamos voltar?
Claro! Depois dessa ótima experiência, o Deli entrou para o nosso top 3 de hamburguerias de BH. Os preços são mais altos do que a média, mas os sanduíches são grandes e dá para dividir numa boa. Além disso, o cardápio é autoral e oferece opções bem originais.

Deli Handmade
Rua Professor Antônio Aleixo, 591
Lourdes

18 de novembro de 2014

‘Experimente o Vinho do Mês’ aquece venda em restaurantes


Enquanto muitos restaurantes sofrem com a maior crise que o setor gastronômico vem enfrentando, uma ação voltada exclusivamente para vinhos comprova que qualidade e preço acessível são uma combinação capaz de reverter qualquer curva decrescente. Lançado no início deste mês, o ‘Experimente o Vinho do Mês’, promoção que põe rótulos dos mais prestigiados países europeus e do Novo Mundo na mesa dos belo-horizontinos por R$ 50, bateu suas metas comerciais logo no primeiro final de semana em cartaz.

Das 13 casas que aderiram à promoção, seis venderam toda a cota inicial e já fizeram novos pedidos. “Em três dias de vendas, restaram apenas cinco garrafas do produto promocional na nossa adega”, conta o sócio proprietário do restaurante Villa Roberti, Daniel Roberti. A receptividade do público foi tão boa que a estimativa comercial do projeto foi revista para mais 300%.

Outro endereço onde a ação superou as expectativas foi o Est! Est!! Est!!!. Das 48 garrafas que o sócio-proprietário Henrique Passini pediu, inicialmente, 42 foram vendidas nos primeiros cinco dias. Na semana passada, o restaurante recebeu mais 36 unidades. “Nossos clientes gostaram muito da ideia e do vinho, que é uma opção mais em conta e de ótima qualidade. Esperamos vender mais 50 garrafas neste final de semana”, comemora Passini.

Para a equipe do ‘Experimente o Vinho do Mês’, o fato reflete a nova tendência do mercado gastronômico. “Não faz sentido os belo-horizontinos gastarem mais, para almoçar ou jantar fora, do que os nova-iorquinos e parisienses”, afirma o idealizador da ação, jornalista Homero Gottardello. “O sucesso do projeto é a prova de que, quando todas as partes da cadeia baixam suas margens, o preço final se torna mais acessível e a demanda cresce”.

A adesão de novas casas, motivada pelo bom desempenho do ‘Experimente o Vinho do Mês’ nos restaurantes, já faz com que seu fornecedor exclusivo, a Casa Rio Verde, antecipe suas importações. “Como nossos rótulos demoram entre 60 e 90 dias para chegar ao Brasil, já definimos os vinhos que estarão em cartaz a partir do meio do ano que vem”, explica o gerente de importação, Haendel Roberto.

Só na primeira semana da ação, foram vendidas quase 30 caixas com 12 unidades cada. A expectativa é de que, em dezembro, outros cinco restaurantes se tornem parceiros do ‘Experimente o Vinho do Mês’. Para atender a essa demanda crescente, a Casa Rio Verde aumentou suas projeções e já considerando uma demanda de 1.000 garrafas mensais, o que dá uma média de 70 unidades por restaurante.

Saiba quais são os restaurantes participantes: Experimente o Vinho do Mês

13 de novembro de 2014

Nonna Carmela


Antes de escrevermos esse post e de o Nonna Carmela entrar para o nosso top 3 de restaurantes italianos de BH, fizemos três visitas à casa. Da primeira vez, durante a edição de março do Restaurant Week, saímos com uma má impressão. O jantar foi excelente e o atendimento foi ótimo, mesmo com todas as mesas ocupadas. Mas ficamos assustados com o valor cobrado pela rolha, um dos mais altos da cidade. Alguns meses depois, decidimos superar o trauma e voltamos ao restaurante em um sábado à tarde. A experiência foi ainda melhor do que a primeira. Valeu tanto a pena dar uma chance para o restaurante que, em menos de dois meses, fomos lá pela terceira vez!

Aconchegante é a palavra que melhor descreve o salão do Nonna Carmela, principalmente à noite, quando a iluminação fica mais baixa. Durante o dia, o ambiente é mais descontraído e familiar. A decoração da casa é simples e elegante, e traz elementos tipicamente italianos em quadros e esculturas discretas. No cardápio há boas opções de massas, risotos, carnes e peixes, além de saladas e petiscos. Em nossa visita mais recente, pedimos uma bruschetta de tomate com muçarela (R$ 16) para começar. A entrada era simples, mas veio exatamente como a gente queria. O tomate temperado cobria quase completamente as quatro fatias de pão, que estavam macias.


O primeiro prato principal do dia foi um penne alla siciliana, com camarão ao molho branco e perfume de limão siciliano (R$ 74), delicioso! A massa al dente veio mergulhada em uma quantidade impressionante de um molho cremoso e rosado muito gostoso. Os camarões cozidos eram grandes, tenros e tinham sabor marcante.


O cannelloni al salmone (R$ 54), feito com cream cheese e salmão ao molho branco gratinado, sem dúvida, foi o melhor prato que já experimentamos na casa! As três unidades eram grandes, bem recheadas e cobertas por um molho branco delicioso, que tinha textura perfeita e um sabor leve de queijo parmesão. O recheio equilibrava bem as quantidades do cream cheese e do salmão, que também estava bem suave. Tudo estava tão bom que a nossa vontade era de levar para casa e comer mais tarde.


No final, não sobrou espaço para a sobremesa, mas junto com a conta veio uma palha italiana artesanal ‘de brinde’. Simpatia também conta ponto para a casa!

Vamos voltar?
Sim! O Nonna Carmela tem um bom custo-benefício, oferece ótimas opções de massas e tem atendimento diferenciado. Os garçons, sempre atenciosos e solícitos, param para conversar com os clientes, conhecem bem o cardápio e estão prontos para dar sugestões.
  
Nonna Carmela
Rua Antônio de Albuquerque, 1.607
Lourdes

4 de novembro de 2014

Experimente o Vinho do Mês: novembro

Nos últimos anos, o setor gastronômico sentiu a escalada de inflação e os preços dos vinhos foram às alturas. Encontrar bons rótulos por menos R$ 65 se tornou uma missão quase impossível, mas uma novidade promete quebrar o paradigma de que "o que é bom tem que ser caro". Chegou a vez de os amantes da mais nobre das bebidas serem beneficiados por uma iniciativa que vai colocar, na mesa dos restaurantes belo-horizontinos, rótulos premiados de alguns dos melhores produtores do Novo Mundo e da Europa a um preço mais do que justo: R$ 50.

Durante 30 dias, quem for aos 11 restaurantes que fazem parte da promoção 'Experimente o Vinho do Mês' terá, além das opções das cartas de cada casa, um rótulo especialmente selecionado: simples assim, sem passaporte ou cartão de desconto. Mais do que uma indicação de qualidade, a ação tem como objetivo estimular o consumo através de uma parceria inédita entre importadores e restaurantes, que permite uma redução de até 55% no preço de cada rótulo.

Para o pontapé inicial, foi selecionado um Benaco Bresciano, o Trepiò. Produzido pela Civielle, uma referência desta indicação geográfica (Indicazione Geografica Tipica ou IGT) da Lombardia, esse vinho é feito a partir de uma combinação das uvas Gropello, Marzemino, Sangiovese e Barbera. Suas vinhas ficam nas colinas de Valtènesi, próximas ao Lago di Garda.


A casta Gropello, predominante no "blend", é cultivada na região desde o século 14 e, entre as características marcantes do Trepiò, destacam-se a cor rubi, o aroma frutado e delicadamente picante, além do sabor suave, com notas de chocolate, tabaco e a salinidade típica da baunilha. Sem dúvida, um rótulo que, por si só, já é um convite para quem gosta de vinho.

Os restaurantes participantes do 'Experimente o Vinho do Mês' combinam o melhor da cozinha internacional e da gastronomia autoral, em endereços nos mais prestigiados e tradicionais bairros de Belo Horizonte. Confira os parceiros da promoção: Birosca S2, Don Pasquale, El Toro, Ephigênia Bistrô, Est! Est!! Est!!!, Glouton, Oak, Patuscada, Saatore, Santa Pizza e Villa Roberti.

31 de outubro de 2014

Mayu


O Mayu foi uma ótima descoberta que fizemos recentemente, graças ao Duo Gourmet. O restaurante aposta em pratos da cozinha japonesa moderna, e logo na entrada já é possível perceber que todo o ambiente segue a mesma linha. O salão principal é bem iluminado, as cadeiras são de plástico e a decoração é moderna e clean até demais.

Nas duas vezes em que fomos almoçar no Mayu, o atendimento foi simpático e eficiente. O cardápio é enorme e bem variado, com boas opções de entrada, pratos quentes, robatas e muitos combinados. Além de cervejas, sucos e refrigerantes, eles têm uma boa carta de drinks feitos com saquê. Para começar, pedimos Chips Mayu (R$ 26), feitos com tartar de salmão, cream cheese, nabo, geleia de amora montados em batatas estilo Pringles. Os chips pareciam canapés, de tão bonitos! Acho tartar um pouco enjoativo, mas aqui, em pouca quantidade e combinado com as batatas salgadinhas e a geleia doce, ficou bem gostoso.


O primeiro prato quente que pedimos foi o Yakisoba de frutos do mar (R$ 51) com molho tonkatsu, que chegou à mesa em dois pratos compridos e estava muito gostoso. Os poucos camarões não eram muito grandes, mas estavam saborosos. A lula cozinhou um pouco além da conta e estava um pouco borrachuda. Os brócolis, o repolho, a acelga e as cenouras vieram na quantidade ideal e complementaram bem a massa. Para completar, o sabor leve e adocicado do molho tonkatsu surpreendeu positivamente.


Outro pedido da nossa mesa foi um Mayu udon, feito com massa da casa ao curry, coco e frutos do mar (R$ 59). O garçom nos explicou que, além de ser um prato exclusivo da casa, a principal diferença entre ele e o yakisoba tradicional era o tamanho dos camarões. E é claro que essa informação nos convenceu! A massa al dente estava muito gostosa e, no primeiro momento, combinou bem com molho feito com curry e coco. Os frutos do mar foram bem preparados e estavam melhores do que os do yakisoba. Os camarões realmente eram maiores e vieram em maior quantidade, e dessa vez a lula estava no ponto certo de cozimento. Mas depois de algumas garfadas, a comida ficou enjoativa e o sabor apimentado do curry começou a incomodar. Sentimos falta de alguns legumes e verduras, que poderiam suavizar os sabores mais fortes.


Vamos voltar?
Sim. Para quem não é muito fã de peixe cru, o Mayu tem ótimas opções de petiscos e pratos quentes - para quem gosta, o cardápio de combinados é enorme, e os preços não são diferentes de outros restaurantes japoneses da zona sul. Os pratos individuais são mais caros, mas são tão grandes que vale a pena dividir e experimentar alguma sobremesa.

Mayu
Rua Rubim, 107
Sion

23 de outubro de 2014

Ficus

Foto: Degustatividade

No sábado passado, fomos almoçar no Ficus, um restaurante simpático localizado em uma área mais tranquila do bairro de Lourdes. A casa é dividida em dois ambientes: o salão interno, amplo, sóbrio e bem decorado, e a pequena varanda, agradável e informal. Mais uma vez, optamos por ficar na varanda para aproveitar a tarde quente e ensolarada e admirar a árvore enorme que fica quase na entrada do restaurante.

No cardápio há boas opções de saladas, peixes e carnes. Os rolinhos de camarão que pedimos de entrada estavam gostosos, mas não tinham nada de especial. A massa, igual à do tradicional rolinho primavera, estava mais gordurosa do que esperávamos, e o recheio seco decepcionou um pouco. O molhinho picante de goiaba que acompanhava o prato também era sem graça.


O primeiro prato principal do dia foi uma moquequinha de peixe e camarão, arroz, pirão e batata palha, que chegou à mesa bem quentinha e estava deliciosa! O peixe branquinho e macio era acompanhado de camarões grandes e tenros – sem miséria – e pedaços de tomate cozidos em um caldo mais encorpado e muito saboroso, temperado com azeite de dendê. O pirão veio em uma cumbuquinha separada e tinha a consistência ideal, nem muito mole e nem empelotado. O arroz branco estava macio e soltinho, e a batata palha, muito fininha, crocante e sequinha, parecia ter sido frita na hora.


O próximo prato escolhido foi o atum em crosta gergelim ao molho de jabuticabas, batatas coradas e alho poró crocante, muito bem preparado e indicado para os amantes da culinária japonesa. A generosa posta de atum é selada e, mesmo que o modo de preparo seja diferente, o peixe traz textura e notas de sabor que lembram a culinária oriental. A combinação com o molho de jabuticaba, uma das especialidades do chef Mauro Bernardes, e os outros ingredientes foi bem sucedida.


Quando trouxe o cardápio de sobremesas, o garçom sugeriu o Chocolate Love, feito com brownie, sorvete e calda de nutella quente, e nos convenceu na hora! Pedimos um para dividir, e o doce realmente era lindo e delicioso! Dividida em três andares, com uma bola de sorvete de creme entre as duas camadas do bolinho, e coberta com muita nutella e amêndoas, a sobremesa só não foi perfeita porque acabou rápido demais. O contraste entre quente e frio funcionou super bem, e o sorvete de sabor mais suave quebrou o doce do brownie e da nutella. A nossa dica é: não deixe de experimentar!


Vamos voltar?
Sim. O restaurante tem ambiente agradável, ótimo atendimento, preços compatíveis com os da região e pratos autorais. Além de criativas, as receitas são bem executadas e chegam à mesa com uma boa apresentação.

Ficus
Rua Felipe dos Santos, 162
Lourdes

13 de outubro de 2014

Trindade


O Trindade é um dos lugares mais charmosos da cidade! O restaurante ocupa um antigo casarão no bairro de Lourdes, que passou por reformas mas manteve alguns detalhes originais, como o piso da varanda e uma parede coberta por azulejos no salão principal. A decoração da área interna mistura elementos clássicos e contemporâneos, como os painéis do artista Rogério Fernandes e os móveis mais rústicos, enquanto a área externa é aconchegante e intimista. Principalmente aos finais de semana, a varanda é o espaço mais concorrido do restaurante - também é o nosso preferido.

No cardápio, ingredientes tradicionais da cozinha mineira se misturam aos da cozinha contemporânea. O resultado são combinações originais que conquistam pela qualidade e pelo sabor. O garçom que nos atendeu, Laudimar Dias, foi simpático e atencioso do momento em que chegamos até a hora que saímos, quando já passava das 17h. De entrada, pedimos as tulipinhas de frango, indicação do garçom que foi aprovada. Feitas com um corte da asa e acompanhadas por um molho de mel e mostarda (R$ 24), as nove unidades eram crocantes por fora, macias por dentro e temperadinhas.


O primeiro prato principal que pedimos foi um Noisette de filet mignon com arroz proibido. A carne veio ao ponto, exatamente como foi pedido, e estava suculenta e macia. O arroz proibido, na verdade, era arroz negro com catupiry. Ele veio separado, estava realmente maravilhoso e combinou perfeitamente com os medalhões. Foi a primeira vez que comi arroz negro com catupiry e, pelo menos visualmente, ele veio diferente do que eu esperava. A consistência lembrou a de risoto, mas aqui os grãos estavam mais durinhos, e o sabor do queijo era suave.


A segunda escolha foi o Bacalhau Vera Cruz que, de acordo com o garçom, é um dos mais pedidos da casa. A apresentação do prato, como sempre, foi impecável. As duas postas generosas de bacalhau eram macias e tinham sabor suave, temperadas somente com azeite e alecrim. Como acompanhamento, os legumes orgânicos cozidos também estavam muito gostosos. Esse é um prato leve, delicioso e que vale a pena ser repetido.


De sobremesa, pedimos um crème brulée de doce de leite Viçosa com flor de sal (R$ 18). Ainda bem que não saímos de lá sem comer essa delícia! A casquinha crocante era fininha e cobria toda a superfície da vasilha. Por baixo dela, o delicioso creme de doce de leite, leve, molinho e frio, que conquistou nossos corações logo na primeira colherada. Dessa vez, pedimos um só para dividir, mas aposto que cada um teria dado conta de comer um inteiro. Na nossa opinião, é o melhor crème brulée de BH!


Vamos voltar?
Sim! Além do ambiente super agradável e dos pratos deliciosos, o Trindade tem uma cozinha autoral, preços compatíveis com o que oferece e atendimento diferenciado. Ficamos curiosos para experimentar o arroz de polvo, que com certeza será um de nossos pedidos da próxima vez!


Trindade
Rua Alvarenga Peixoto, 388
Lourdes

1 de outubro de 2014

Auguri Pizzaria & Forneria


O Santa Tereza é um bairro que sempre teve vocação boêmia, mas só de uns cinco anos para cá a região ganhou restaurantes à altura dessa tradição. O mais novo deles é a Auguri Pizzaria & Forneria, em funcionamento há pouco mais de cinco meses. Comandada pelos sócios Cirineu Tarsício e Enderson Moreira, a casa tem um salão amplo, forno à lenha e decoração rústica, apostando em ingredientes nobres e combinações inusitadas para conquistar seu espaço em um segmento bastante concorrido.

Sem tanta pompa e circunstância, a Auguri se destaca pelo capricho na preparação da massa, realmente fininha e deliciosa, e pelo atendimento atencioso e informal. Além dos 30 sabores de pizza, completam o cardápio boas opções de saladas, entradas, paninos e calzones. Para começar, pedimos um pão de pizza com carne seca e alho poró. Do tamanho de uma pizza brotinho, a massa lembrava um pão sírio mais firme e crocante, muito bom. O recheio estava bem gostoso, mas não surpreendeu.

As pizzas têm seis fatias e, como nessa primeira visita a nossa ideia era experimentar combinações exclusivas da casa, quisemos escolher dois sabores. Em uma primeira olhada no cardápio, a Camões, que leva camarão, tomate sem pele, molho de tomate, queijo tipo catupiry e pesto de manjericão (R$ 52) chamou a nossa atenção. Encontrar uma pizza com camarão que realmente tenha gosto de camarão é um desafio aqui em BH, mas essa passou no teste com louvor! Assim que chegou à mesa, surpreendeu pela aparência. Os camarões, grandes, tenros e saborosos, estavam dispostos simetricamente sobre o disco, coberto por uma camada de catupiry e outra de tomate. Uma faixa de pesto, que enfeitava cada fatia, deixou a pizza ainda mais bonita, e o sabor do molho, apesar de marcante, combinou bem com o dos outros ingredientes. 


A outra opção escolhida foi uma indicação de um dos sócios e vai representar a casa no Circuito Gastronômico Italiano, que acontece durante o mês de outubro. A pizza Alabastro é ideal para os vegetarianos: ela combina molho de tomate, muçarela, burrata La Bufalina, tomates italianos sem pele com pesto de azeitonas pretas e também custa (R$ 52). Com um sabor bem diferente, ela talvez não agrade a todos. A burrata, muito cremosa – e derretida em algumas partes -, conseguiu suavizar o gosto forte do pesto, que era delicioso, mas um pouco enjoativo. Vale a pena experimentar, mas a nossa dica é não pedir uma inteira desse sabor.


Vamos voltar?
Sim! Longe da badalação, a Auguri é uma ótima opção para quem sai dos teatros Alterosa ou Sesiminas e procura um lugar para fazer a resenha do espetáculo. A casa tem um atendimento exemplar, receitas autorais e trabalha com ingredientes de qualidade. Em uma próxima vez, vamos experimentar um dos calzones!

Auguri Pizzaria & Forneria
Rua Alabastro, 38
Santa Tereza

24 de setembro de 2014

Casa Amora

Fonte: Casa Aberta

Na semana passada, conhecemos a Casa Amora, um restaurante lindo e que tem uma proposta bem interessante. Comandado por três amigas nutricionistas, o lugar é tipo um self-service de comida saudável. Já gostamos da Casa logo na entrada. Com mesinhas na varanda e jardineiras nas janelas, o local é simpático e aconchegante. Do lado de dentro, o ambiente é claro, amplo e muito bem decorado com móveis coloridos, parede de tijolinhos e vasinhos de flor. Atrás do balcão, livros, garrafas coloridas e xícaras são acomodados em nichos de madeira.

Os pratos são montados em um esquema parecido com o do Subway. De um lado do balcão, você escolhe uma opção de carne e os acompanhamentos, enquanto uma pessoa do outro lado coloca no prato as quantidades que você quiser. No final, ainda é possível escolher entre as duas opções de suco e servir o seu próprio copo (R$ 3,70). A cada dia, a Casa prepara um menu diferente - que fica exposto em um quadro negro bem na entrada - , e os preços variam de acordo com a carne e a quantidade de acompanhamentos que o cliente pedir. Na terça, as opções eram:

I - Frango com quiabo
II - Surubim com leite de coco e açafrão
III - Hambúrguer caseiro

Fonte: Casa Aberta

Como chegamos mais cedo, por volta das 12h, o lugar ainda não estava cheio, e a moça que nos atendeu primeiro, muito educada, nos explicou com calma como funcionavam os pedidos. Aliás, todos os funcionários são simpáticos e atenciosos! Nossas escolhas foram bem parecidas. A primeira foi o surubim e dois acompanhamentos: mix de folhas e salada com tomate, queijo, azeitonas pretas, cebola e pepino. A segunda também foi o peixe, o mix de folhas e uma porção de arroz com brócolis. Além dessas, havia mais cinco opções de acompanhamento. Cada prato ficou em R$ 20,90, preço que nós achamos justo. Para beber, fomos de suco natural de maracujá, mel e hortelã.


As impressões que tivemos da Casa Amora foram as melhores! O surubim estava macio e tinha um tempero suave. A quantidade de açafrão foi suficiente para deixá-lo mais corado, mas não atrapalhou em nada o sabor do peixe. As folhas do mix - alface, agrião e rúcula - estavam bem verdinhas e frescas. A outra salada, com pedaços grandes de tomate, era refrescante. Mesmo sabendo que são acompanhamentos simples de se fazer, sentimos que a Casa faz tudo com muito capricho e se preocupa com a qualidade dos ingredientes.

Vamos voltar?
Sim! A Casa Amora é uma ótima opção de almoço rápido e saudável na Savassi. Tem preços bons, atendimento diferenciado e a comida é uma delícia. Vale a pena acompanhar a página do restaurante no Facebook - lá são postadas as opções de carne de cada dia. Nos dias de semana, é bom chegar mais cedo para não pegar fila!


Casa Amora
Rua Paraíba, 941
Savassi

18 de setembro de 2014

Vinho sem frescura


O mundo dos vinhos é repleto de nomes emblemáticos, mas nenhum deles tem o prestígio do Romanée-Conti, que batiza a vinícola homônima e a 'appellation d'origine contrôlée' (AOC) mais reverenciada do mundo. Apenas para se ter uma ideia, em 2012, uma única garrafa da lendária safra de 1945 foi arrematada, em um leilão da Christie's, em Genebra, por US$ 123.919 - o equivalente a quase R$ 282,5 mil. Mais do que o interesse pelo seu conteúdo, que muito provavelmente não se encontra em condições potáveis, quem pagou esta verdadeira fortuna sabe que, agora, tem em mãos um objeto exclusivíssimo - afinal, foram produzidas apenas 600 garrafas desta safra.

A tradição dos 1,63 hectares – 16.300 metros quadrados ou pouco mais de um quarteirão e meio – da propriedade atual remonta ao século 16, quando monges da Abadia de Saint-Vivant receberam cinco quintas, em Vosne-Romanée e Flagey-Echézeaux. Uma delas foi vendida, em 1584, como ‘Les Clos de Cloux’, e só na metade do século 17, após a descoberta de ruínas romanas no local, foi rebatizada. Em 1760, ela se tornou posse do príncipe de Conti e, 24 anos depois, foi citada pela primeira vez em um leilão, como Romanée-Conti.

O produtor francês representa, como nenhum outro, o cuidado com todos os processos de produção de um vinho. Do plantio e cultivo das vinhas, da colheita seletiva e da produção esmeradíssima à distribuição, igualmente selecionada. Seu grande mérito é ter criado este conceito há mais de um século e, de lá para cá, seguir fiel à qualidade. Seu rendimento volumétrico, por exemplo, é quase a metade do estipulado pela AOC e trata-se do único domínio da Borgonha que só produz 'grands crus'.

O Romanée-Conti também se beneficia da natureza única de seu solo, que tem apenas 60 cm de profundidade. Abaixo dele, só há pedra calcária e argila. Isso significa uma capacidade única de drenagem e retenção da água. No final do século 19, o príncipe de Conti trouxe 800 cargas de carroça de marga para seu terreno, ou seja, suas videiras são cultivadas em uma terra tratada a pão de ló há muitos e muitos anos.

Segundo o enólogo britânico Clive Coates, "o vinho mais caro do mundo é encorpado e elegante, feito de tafetá e seda". No Brasil, ninguém deve se iludir achando que vai encontrar o rótulo por menos de R$ 10 mil e uma safra mais conceituada – não que exista alguma que não mereça reverência – não sai por menos de R$ 25 mil. Mas será que vale a pena pagar tão caro por um Romanée-Conti?

Minha resposta é simples: claro que não!

Por um décimo do preço de um Romanée-Conti é possível experimentar um produto muito semelhante. O Vosne-Romanée, do domínio Méo-Camuzet, expressa basicamente o mesmo terroir do primo mais famoso e custa entre R$ 300 e R$ 400. É um produtor da mesmíssima cidade, que tem uma área de cultivo e uma produção ainda menores. Em outras palavras, é um vinho ideal para quem entende do riscado e quer exclusividade, sem se importar em fazer número ao lado dos novos ricos.

11 de setembro de 2014

A Pão de Queijaria


Inaugurada no início do ano, A Pão de Queijaria é imperdível para quem é apaixonado por pães de queijo! Na pequena loja, localizada no coração da Savassi, quatro queijos diferentes são usados na preparação do salgado, um a cada dia da semana. Tem pão de queijo com queijo da Serra da Canastra, da Serra do Salitre, parmesão e gruyère. Às terças-feiras, dia da nossa visita, eles são feitos com gruyère e parmesão. São nove variedades de recheios com carne, vegetarianos e doces, além de algumas opções de cafés. Tudo na Pão de Queijaria é feito com capricho, desde o cardápio colorido e os joguinhos americanos com explicações sobre o café exclusivo da casa até a montagem dos pratos. O garçom que nos atendeu estava começando naquele dia e, apesar de ainda não ter muita segurança para dar indicações, teve a maior boa vontade para responder nossas perguntas.

O primeiro pedido foi um pão de queijo com frango, pesto mineiro, requeijão de barra e alface americana, acompanhado de polenta frita (R$ 15). Muito recheado, ele tinha a massa macia, compacta e, claro, com gosto de queijo de verdade. Por dentro, pedaços de frango macios, mas não muito temperados, estavam envolvidos por um creme de requeijão delicioso. Como o recheio tinha sabor mais suave, o gosto forte do parmesão se destacou muito. Para ficar ainda melhor, o salgado poderia ter assado um pouquinho menos, porque a parte de baixo, que já é mais durinha mesmo, parecia biscoito. Na hora de fazer o pedido, desconfiei da polenta frita e quase pedi uma salada como acompanhamento, mas ainda bem que resolvi dar uma chance! Os cubinhos de polenta estavam muito gostosos e combinaram super bem com o salgado.


O segundo pedido foi o sanduíche pernil do chovinista, recheado com suculentas lâminas de pernil, bacon, couve frita e queijo Minas, também com polenta (R$ 17). Dessa vez, o pão de queijo estava um pouco menos assado e mais recheado do que o anterior, então já começamos bem! As fatias de pernil estavam bem temperadas e tão macias que quase desmanchavam na boca. Por cima, uma fatia generosa de queijo Minas, bem suave, que serviu de base para os pedacinhos de bacon torrados. Para completar essa excelente combinação de sabores, couve cortada bem fininha e frita enfeitava o sanduíche. Sem dúvida, foi o melhor do dia.


Vamos voltar?
Com certeza! Além de ter um cardápio super criativo e ótimo atendimento, a Pão de Queijaria tem preços bons. À primeira vista, os pães de queijo podem parecer caros, mas um sanduíche é mais do que suficiente para quem não come muito. Estamos ansiosos para experimentar outros recheios salgados e os cafés da casa. A dica é ir durante a semana e chegar mais cedo, até umas 20h, para não correr o risco de não achar mesa. Ah, e eles vendem saquinhos com pão de queijo congelado!

A Pão de Queijaria
Rua Antônio de Albuquerque, 856
Savassi

6 de setembro de 2014

Gomide


O Gomide é um daqueles restaurantes que fazem questão de ser clássicos do ambiente à decoração. Assim como nos bistrôs franceses, suas mesas são montadas com vasinhos de flor, guardanapos de pano e taças de vinho. Apesar de prezar pela sofisticação, a casa peca pela pouca iluminação do salão que, se à noite pode ser sinônimo de charme, atrapalha durante o dia. As nossas fotos, que são feitas com celular, ficaram completamente escuras quando o sol começou a baixar.

Assim que escolhemos a nossa mesa, o garçom trouxe o couvert: uma cesta de pães com manteiga e patês (R$ 12 por pessoa). Tudo estava uma delícia. As torradas, fininhas, pareciam ter sido feitas há pouquíssimo tempo e estavam tão crocantes que dispensavam acompanhamento. As fatias de pão francês mais grossas, igualmente boas, combinavam muito bem com os patês. A vontade era de comer a cesta inteira, mas nos controlamos para pedir os pratos principais.

O primeiro foi um medalhão de filet com cogumelos frescos, batatas dauphnoise e molho bordelais (R$ 65). A carne veio ao ponto, como pedido, e estava super macia. Como os dois medalhões eram mais “altinhos”, estavam mal passados no cerne, mas nada que atrapalhasse. O molho à base de tinto e cebola era suave e saboroso, e os cogumelos shitake e shimeji, que têm gosto mais forte, davam equilíbrio ao conjunto. A maior surpresa foram as batatas dauphnoise, que conquistaram um lugar cativo em nossos corações. As finas camadas de batata eram alternadas com camadas de um queijo bem leve e cremoso e, para finalizar, uma casquinha crocante dava um toque especial. Ficamos impressionados em ver como um acompanhamento tão comum e fácil de fazer pode se transformar em algo maravilhoso, que quase conseguiu tirar o brilho dos medalhões. Esse é um prato que a gente indica sem medo de ser feliz!

O segundo pedido, infelizmente, decepcionou. O fettuccine ao funghi com steak de filet grelhado (R$ 62) era um prato muito farto, mas não foi tão bem executado. O molho de funghi tinha um sabor muito agradável e combinava com a massa, que estava al dente. Mas se sobrou quantidade, faltou delicadeza, principalmente no preparo do steak. A carne era uma peça grande, mas estava seca e dura. No fim das contas, ficou a impressão de que esse é um prato muito mais voltado para a saciedade do que para a experiência gastronômica - visual e sabor diferenciados.


De sobremesa, pedimos um crepe l'orange (R$ 18) para dividir. A apresentação do prato é linda, mas logo na primeira colherada ficamos um pouco decepcionados. A massa sem recheio boiava em uma calda de laranja, que era quente e tinha muito gosto de canela. O doce era, no mínimo, enjoativo. Mesmo para dividir com mais uma pessoa. A única coisa que salvou foi a bola de sorvete de creme, que conseguiu suavizar os sabores fortes da calda.

Vamos voltar?
Só em dias de promoção. O Gomide tem um ambiente bem decorado e ótimo atendimento, mas é caro. Os pratos estão na faixa de R$ 80 - o mais caro custa R$ 99 -, preço mais alto do que a média em outros restaurantes tão bons quanto ou melhores.

Gomide
Rua Tomás Gonzaga, 189
Lourdes

30 de agosto de 2014

Vinho sem frescura


A Bulgária nunca foi, exatamente, uma potência da viticultura, mas o país foi o que mais se beneficiou da abertura que se seguia à queda do Muro de Berlim. A modernização das adegas estatais e das que foram privatizadas permitiu melhorar a qualidade final de seus vinhos e, com boa relação custo/benefício, eles ganharam o mercado internacional – Inglaterra, Alemanha e Rússia são seus maiores “clientes”. Para além das castas tradicionais, como Cabernet Sauvignon e Merlot, que ocupam grandes áreas de cultivo, três uvas búlgaras têm destaque na sua produção: as tintas Gamza, famosa pelas notas de especiarias, e Melnik, uma espécie de “Syrah” da ex-Cortina de Ferro, além da branca Misket, que herda o toque floral do terroir do Vale das Rosas.

A boa notícia para quem quer experimentar um vinho produzido na Bulgária é que não é preciso gastar uma fortuna para isso e, com menos de R$ 50, já dá conhecer um ou outro rótulo. Aliás, eu desaconselho o leitor a pagar mais do que isso, afinal, os búlgaros produzem bebida de boa qualidade, mas seus volumes sempre foram muito grandes – rendimento médio de 50 hectolitros por hectare, contra 35 hl/ha de um ‘grand cru’ francês – e, das quatro classificações regionais, só as denominações D. G. O. e ‘controliran’ valem a pena.

De qualquer forma, nunca é demais lembrar que, de todos os países do extinto bloco comunista, a Bulgária é o que mais se esforça para incrementar a qualidade de seus vinhos, obviamente, atenta à demanda do mercado internacional. Há um consenso de que os produtores reinvestem 70% de seu lucro em novos equipamentos e até mesmo os barris de carvalho búlgaro vêm sendo substituídos por modelos franceses. De qualquer forma, o enriquecimento com açúcar (chaptalização) ainda é permitido.

Um detalhe interessante é que muitas vinhas do país ainda são estatais, mas investidores estrangeiros, notadamente dos Estados Unidos, vêm adquirindo as de maior potencial. É o caso da antiga Vinprom Russe, que foi comprada e transformada na Boyar Estate, maior produtor búlgaro atual, com um volume anual de mais de 65 milhões de garrafas. Seu Royal Reserve, um varietal Cabernet Sauvignon cuja produção não passa de 30 mil garrafas anuais, é envelhecido 36 meses em barris de carvalho norte-americano.