22 de novembro de 2016

Hofbräuhaus


Seis meses depois de sua turbulenta inauguração (e reinauguração), visitamos a primeira unidade da famosa cervejaria alemã na América Latina. Digo turbulenta porque dois dias depois de ser aberta, a casa fechou por falta de cerveja. Pelos próximos dias, funcionou de maneira precária - apenas nos fins de semana e mediante reserva - e fechou novamente. Em maio, reabriu as portas definitivamente e passou por uma reforma para aumentar a produção.

A cervejaria ocupa um imóvel enorme no bairro Cidade Jardim, na região Centro-Sul de BH, e tem capacidade para 350 pessoas. O salão interno é amplo, bem iluminado e rodeado por paredes de vidro. Há mesas e bancos compridos para turmas maiores, cadeiras altas ao longo de todo o balcão e, nos cantos, mesas pequenas para quatro pessoas. A área externa é ideal para dias ensolarados ou encontros de happy hour.


Das duas vezes em que estivemos no local, o atendimento foi eficiente e os garçons, atenciosos. Mesmo quando a casa já estava cheia, os pratos chegaram relativamente rápido. Enquanto esperávamos, escolhíamos quais seriam as próximas cervejas. São três tipos - lager, dunkel e weiss - servidos em três tamanhos diferentes: copo de 300ml (R$ 9,50), caneca de 500ml (R$15) e caneca de 1L (R$ 29). Experimentamos todas e não saberíamos dizer qual é a melhor. Vale a visita só pelas cervejas, são muito boas mesmo!

O cardápio traz itens clássicos da culinária alemã, como salsichão, joelho de porco e goulash, mas não vai muito além disso. Pedimos uma salsicha com pretzel (R$ 27,90) que, pelo preço, deixou a desejar. O pretzel tinha tanto sal grosso que mais parecia aquele salgadinho Stiksy, da Elma Chips, só que muito mais caro.


O próximo prato foi um schnitzel com molho remoulade e salada de batata (R$ 37,90), um bife de porco fininho empanado, certamente nossa melhor escolha. A salada estava gostosa, mas era muito pequena, e o molhinho com sabor de limão combinou com a carne, que veio crocante e sequinha. Se você pedir um acompanhamento à parte, dá para dividir com outra pessoa que não come muito. Para nós, as clássicas batatas fritas são insubstituíveis, e as da Hofbräuhaus são boas também. Uma pena serem daquelas congeladas, justo em uma casa que serve comida alemã.


Vamos voltar?
Pela cerveja, sim. Além de o ambiente da Hofbräuhaus ser animado e descontraído, beber aquelas cervejas na caneca é uma delícia - e bem caro também. A comida não é um atrativo da casa. É mais cara do que a de qualquer bar da região Centro-Sul, não conquistou nenhum de nós e vai decepcionar quem está acostumado com os pratos servidos no Haus München. Vá para experimentar as ótimas cervejas, não chegue com fome e peça uma porção de batata frita. Não tem erro.

Hofbräuhaus
Av. do Contorno, 7613
Cidade Jardim

15 de janeiro de 2016

Bravus Blend Factory


O ano de 2016 mal começou e nós já descobrimos um novo favorito aqui em Belo Horizonte! No domingo passado, almoçamos na Bravus Blend Factory, uma hamburgueria inaugurada há cerca de dois meses no bairro de Lourdes, no imóvel onde funcionava o restaurante espanhol El Toro. A casa é dividida em quatro ambientes: uma varanda logo na entrada, que encontra com o salão principal, coberto; um corredor comprido com iluminação mais baixa, com mesas mais próximas umas das outras e um sofá vermelho que vai de uma ponta à outra; e um deck no andar de cima, que não conhecemos dessa vez. Como o dia estava chuvoso, optamos pelo ambiente mais escurinho e aconchegante onde fica o sofá.

Chegamos por volta das 15h e a casa ainda estava vazia, com outras duas mesas ocupadas além da nossa. Dois garçons muito simpáticos vieram nos atender, apresentar o cardápio e oferecer as bebidas. A Bravus trabalha com cervejas importadas, drinks alcoólicos e não alcoólicos, sucos, refrigerantes e milk shakes. Decidimos experimentar a cerveja tcheca 1795 (R$ 20) e o milk shake de Ovomaltine (R$ 26) e nós dois ficamos satisfeitos com as nossas escolhas.


Além dos hambúrgueres diferenciados, o cardápio tem três opções de saladas e nove acompanhamentos - variações de batatas fritas, anéis de cebola e palitos de muçarela -, ótimos para petiscar antes de pedir os pratos principais. Ao todo, são 20 tipos de sanduíches e, depois de ver tanta variedade, pedimos ao garçom que nos sugerisse um hambúrguer menor e outro maior, para quem está muita fome. Confiamos nele, e a primeira escolha não poderia ter sido melhor.

O Sunshine, montado no pão de brioche com blend 170g, telha de parmesão, manteiga de tomilho, trufa negra e ovo frito (R$ 31) é relativamente simples e muito saboroso. Sempre prefiro sanduíches com menos ingredientes, em que é possível sentir e avaliar o gosto de cada um separadamente. O pão estava macio, pesadinho e levemente adocicado. A carne, também macia, tinha tempero na medida certa e combinava bem com a telha de parmesão parcialmente derretida - gostamos da ideia da “telha”, que fica mais bem acomodada ao hambúrguer e é mais atraente do que a fatia de queijo inteira -. Por cima, o ovo com gema mole estava na consistência perfeita e, depois de partido, deu um plus ao conjunto. A manteiga de tomilho, que estava no cardápio, não apareceu... Mas também não fez falta. Para completar a nossa alegria, as batatas onduladas que acompanharam o prato estavam deliciosas. Eram do tipo congeladas? Sim, mas estavam crocantes, sequinhas e iam bem com qualquer um dos quatro molhinhos especiais que estavam na mesa.


A segunda sugestão foi o burguer que leva o nome da casa, Bravus, feito com pão tradicional, blend 170g, maionese trufada, alface, tomate assado, cebola crispy, bacon caramelizado e queijo emental (R$ 33). Mais completo e maior do que o primeiro, mas igualmente surpreendente. As batatas rústicas que o acompanharam estavam boas e só. Da próxima vez, vamos trocá-las por batata doce palito ou batata chips.


Vamos voltar?
Sim! Além de o atendimento dos garçons, do chef e do gerente da casa ser bastante atencioso, gostamos muito de tudo o que comemos e bebemos na Bravus. Os preços não são tão baixos quanto gostaríamos, mas a casa trabalha com ingredientes diferenciados e oferece produtos cheios de sabor e criatividade e de ótima qualidade. Tão bons que já estão entre as nossas três hamburguerias favoritas da cidade. Torcemos muito para que eles consigam manter esse padrão de qualidade sempre, coisa rara de se ver aqui em BH.

Bravus Blend Factory
Rua Marília de Dirceu, 182
Lourdes

4 de novembro de 2015

Olga Nur troca tradição pela vanguarda


O Olga Nur abriu suas portas em julho deste ano com toda pompa e circunstância. No mesmo endereço onde funcionava o distinto e controverso O Dádiva, apostou suas fichas no prestígio do cozinheiro Erick Jacquin, aquele gordinho do Master Chef. Chamou atenção e ganhou espaço na mídia, mas o cardápio conservador de Jacquin acabou abreviando a parceria entre o restaurante e o jurado da TV. Ninguém fala isso, mas estava "queimando o filme".

O Olga investiu na cozinha contemporânea com um novo menu assinado por seu próprio chef executivo, Rodrigo Viana. E o resultado não poderia ser melhor: agora, há uma sinergia entre ambiente, serviço e cardápio. "Para criarmos este menu seguimos novas vertentes culinárias, mantendo nosso foco naquilo que clientes mais valorizam", conta Viana. "Uma preocupação que tivemos foi chegar em um compromisso entre qualidade e criatividade, que não sacrificasse o preço".

A decoração inovadora, o atendimento profissionalíssimo e as criações do chef falam a mesma língua, o idioma da modernidade. Sua autonomia ganha destaque desde o montadito de filé ovos e flor da sal (R$ 39), uma entrada realmente mágica, passando pelo creme de ervilhas frescas com burrata (R$ 37) e pelo nhoque de batata baroa recheado com queijo brie e confit de tomates (R$ 94), até chegar à lagosta ao molho de mostarda e mel com champignons (R$ 99) - a opção mais criativa, saborosa e farta. 

São, ao todo, cinco opções de entrada (que também incluem as saladas de polvo braseado, aiolí e pesto de rúcula; de chevre quente, com lâminas de pêras e amêndoas coradas; o carpaccio de salmão defumado na casa, com guacamole e merken) e nada menos que 16 sugestões para prato principal, com destaque para o filé e escalope de foie gras com arroz vermelho e hortelã (R$ 79), que experimentamos e aprovamos.


Com o mercado gastronômico desaquecido, o chef também criou pratos para serem compartilhados, como o guioza de pato e pupunha, levemente picante ao molho de gengibre e mascavo; o prato de queijos variados ao melaço de cana; e os gogumelos recheados com camarão e queijo de cabra - além do montadito, que já está mais do que recomendado. "Os clientes que vêm ao Olga Nur querem uma experiência completa e, para proporcioná-la, também realinhamos nossa carta de vinhos para atendê-los com rótulos de ótima qualidade e preços justos", pontua o consultor da casa, Matheus Murthê.

E essa leitura realista do momento que o setor atravessa só trouxe ganhos. Afinal, o restaurante vendeu nada menos que 180 garrafas de vinho em um único dia, recentemente. E como ninguém pode ir embora sem adoçar a boca, as sobremesas incluem desde o tradicional petit gatêau até misturas criativas, como churros de banana com doce de leite e profiteroles de maçã e caramelo com especiarias (R$ 23) - nossa indicação.

Para além do que se come e bebe, outra boa notícia é que o restaurante agora está aberto para almoço também às sextas-feiras. É verdade que a maioria dos pratos têm preços acima da média de BH, mas, sem dúvida, vale a pena conhecer o Olga!

Olga Nur
Rua Curitiba, 2202
Lourdes